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Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 28 de Junho de 2020.

O aumento da população mundial, a degradação do meio ambiente e o emprego excessivo dos recursos naturais tem relação directa com os sistemas globais de alimentação, os estilos de vida que consomem em demasia aqueles recursos e que originam resíduos. No mundo e igualmente em Portugal, a cada ano que passa, gastamos mais cedo aquilo que a Natureza nos dá nesse período, o que compromete seriamente as gerações vindouras. Nesse sentido, o nosso País comprometeu-se a ser neutro em carbono até 2050, ou seja, daqui a 30 anos. O conceito de pegada ecológica associado às emissões de dióxido de carbono, resulta da soma dos vários componentes do nosso dia-a-dia, como o consumo de energia, de mobilidade e de alimentos, que produzem aquele gás. Portanto, medem-se as áreas de cultivo, pastagem, floresta, pesca que um indivíduo precisa para produzir o que consome e receber o lixo que gera, tendo como unidade de medida, hectares globais (gha) por pessoa. De acordo com a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, Portugal tinha em 2016 uma pegada ecológica de 3,94 gha per capita e uma média de 5 toneladas de dióxido de carbono por residente, libertadas para a atmosfera. Ora, a alimentação é a que mais contribui para a pegada ecológica e em segundo, os transportes. Como forma de encurtar essa marca ambiental importa dar primazia aos circuitos curtos agro-alimentares para que haja uma maior proximidade entre produtores e consumidores, não havendo a necessidade de tantos intermediários e reduzindo a distância percorrida pelos alimentos. Nesse aspecto, a Associação In Loco lançou no início deste mês o "Guia para Consumir Local", uma iniciativa 100% Local cofinanciada pelo NoPlanetB – AMI, pelo Instituto Camões e pela União Europeia, com o propósito de mudarmos comportamentos através daquilo que comemos quanto à sua quantidade e proveniência, e bem assim do que podemos fazer em prol da economia local e da diminuição da pegada ecológica.

A publicação de 30 páginas da autoria de Vânia Martins e Ana Arsénio que está disponível gratuitamente na ligação http://in-loco.pt/upload_folder/edicoes/3a87fb01-6e83-4d3a-878f-bec19a8eedbe.pdf, traz informação útil sobre a relevância de comprarmos alimentos que "cá se fazem, cá se comem", indo ao encontro da estratégia "Do Prado ao Prato" preconizado pela Comissão Europeia. O "Guia para Consumir Local" está dividido em três capítulos: "1. Conheça as vantagens de consumir local", "2. Avalie o seu perfil de consumidor alimentar" e "3. Contribua para um planeta mais sustentável através da alimentação". O uso de produtos agrícolas que crescem mais perto da nossa casa ajuda à preservação da identidade e à sustentabilidade da economia local, agrícola e ambiental, podendo ser comprovados pelo consumidor o sabor e qualidade distintos dos mesmos. Diariamente, as nossas escolhas alimentares afectam a pegada ecológica, pelo que se deve ter conhecimento sobre o tipo de consumidor que somos, para mudarmos aquilo que for possível e necessário, com o objectivo de diminuir o impacto nos ecossistemas por meio da alimentação. Para termos uma ideia da nossa marca ambiental e da pressão que exercemos no planeta, podemos utilizar uma calculadora que está à disposição em www.footprintcalculator.org, preenchendo os indicadores ali pedidos. A preferência por hortofrutícolas frescos e da época obtidos localmente, a tomada de consciência pela origem dos produtos no momento de aquisição, a opção por modos de produção mais amigos do ambiente e do Homem, bem como a possibilidade de reclamar junto do agricultor ou do vendedor quando adquiriu algo que não correspondeu às suas expectativas, melhorando dessa maneira a qualidade e a rastreabilidade dos produtos locais, são contributos para um mundo ecologicamente mais equilibrado. As compras a granel guardadas em embalagens e sacos trazidos de casa em detrimento dos produtos embalados em plástico ou cartão, é outra medida que complementa o papel que cada um de nós deve ter nesta matéria. Além da intervenção individual sempre que se compra, poderemos divulgar as boas práticas de produção e consumo local, promover os circuitos curtos de abastecimento mais próximos, organizar actividades de lazer, voluntariado ou de formação nas explorações agrícolas que possamos conhecer.

Em suma, há que defender em primeiro lugar o que é nosso, para o bem comum, no presente e no tempo que há-de vir!

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