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Perspectivas Agrícolas para a década 2025-2034

por Agricultando, em 31.08.25

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 31 de Agosto de 2025.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançaram em Julho deste ano a publicação em inglês "OECD-FAO Agricultural Outlook 2025-2034" ("Perspectivas Agrícolas 2025-2034 pela OCDE-FAO"). A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico é composta por 38 países membros, dos quais Portugal foi membro fundador da então Organização Europeia de Cooperação Económica (OECE) que existiu entre 1948 e 1960, e em 1961, quando esta instituição passou a ter a actual designação. Abrange países dos continentes europeu, americano (norte e sul) e asiático. Os objectivos desta organização passam pela promoção da democracia e economia de mercado, análise e recolha de dados, bem como a identificação de tendências para o futuro, que são úteis para a definição de políticas dos membros e parceiros da OCDE. A FAO é uma agência especializada que tem como propósito erradicar a fome no mundo e alcançar a segurança alimentar para todos os países, de modo que as pessoas tenham alimentos disponíveis no dia-a-dia, que lhes permitam ter uma vida activa e saudável. O documento de 166 páginas traz perspectivas dos mercados de produtos básicos (agrícolas, pecuários e da pesca) a nível regional, nacional e internacional, para os próximos dez anos, resultante de uma avaliação detalhada e baseada em dados e políticas em vigor até Dezembro de 2024, no que concerne à produção, consumo, comércio e preços, tornando-se assim numa ferramenta de trabalho para o planeamento de políticas agrícolas. Dada a extensão da publicação, faremos um breve apontamento do seu conteúdo que está dividido em três partes: Parte 1 sobre Mercados Agrícolas e Alimentares, tendências e prospectivas; Parte 2 acerca das mais recentes evoluções de mercado e projecções a médio prazo de produtos básicos como cereais, oleaginosas e seus derivados, açúcar, carne, leite e produtos lácteos, peixe, biocombustíveis, algodão e outros produtos, com apresentação de conclusões sobre os assuntos principais e incertezas que poderão afectar os mercados até 2034; e a Parte 3 que é um Anexo Estatístico que só pode ser consultado em linha como material de apoio e que se refere a previsões de produção, consumo, mercado e preços dos produtos agrícolas, peixe, biocombustíveis, assim como os pressupostos macroeconómicos e políticos.

OECD_FAO_agricultural_outlook_2025_2034_capa_DR.pn(Direitos Reservados)

Como mensagens chave deste trabalho, fica-se a saber que é expectável que na próxima dezena de anos haja um acréscimo da ingestão calórica diária por pessoa na ordem dos seis por cento, de carne, leite, peixe e outros produtos de origem animal, devido ao aumento dos rendimentos em países de rendimento médio. Contudo, nos países de baixos rendimentos, essa ingestão diária desses produtos ricos em nutrientes vai manter-se baixa com o valor de 134 quilocalorias até 2034, muito inferior às 300 quilocalorias incluídas no cabaz da dieta saudável utilizado pela FAO. Espera-se que a produção agrícola e actividade pesqueira global aumente 14 por cento durante a próxima década por via dos melhoramentos da produtividade, em particular nos países de rendimentos médios. Porém, este crescimento de produção, a par com as mudanças estruturais em curso no sector, está igualmente associado à expansão das explorações pecuárias e áreas de cultivo. Apesar da diminuição da intensidade das emissões provenientes do acréscimo da produtividade, há um aumento de seis por cento nas emissões de gases de efeito estufa agrícolas. No cenário em análise e até 2034 propõem-se medidas para eliminar a subnutrição e para reduzir em sete por cento as emissões directas de gases de efeito estufa por comparação com os níveis actuais. Para conseguirmos este duplo resultado seria necessário um incremento de 15 por cento da produtividade agrícola complementada com a adopção generalizada de tecnologias que visem o abrandamento de emissões e um nível de produção suficiente para erradicar a subnutrição a nível mundial. À medida que cresce a procura por alimentos e rações animais, com as áreas de produção muitas vezes afastadas das zonas de consumo, projecta-se que nos próximos dez anos, 22 por cento de todas as calorias irão atravessar fronteiras internacionais. Para assegurar uma circulação de produtos agrícolas e de peixe, a cooperação multilateral e um sistema de comércio baseado em regras, são essenciais. Estes contextos além de melhorar a segurança alimentar, têm o mesmo efeito na sustentabilidade e resiliência perante possíveis rupturas no fornecimento. Por último, estima-se que os preços dos produtos básicos agrícolas baixarão a médio prazo enquanto a produtividade do sector agrícola cresce, colocando pressão nos agricultores individuais, nomeadamente os produtores de pequena dimensão, no extremo inferior da escala da produtividade, para que continuem a aumentar a sua própria produtividade. Os melhoramentos sustentados de eficiência, adopção de tecnologias inovadoras, o acesso facilitado aos insumos, conhecimento, mercados, e práticas eficazes de gestão de risco empresarial, são fundamentais para a manutenção dos rendimentos da exploração agrícola e os meios de subsistência dos agricultores.

Um comentário à parte
Foi com um sentimento de tristeza e apreensão que durante este mês assisti pela televisão aos incêndios que puseram em perigo populações de aldeias remotas do interior das regiões centro e norte do país, cada vez mais despovoadas e envelhecidas, à semelhança do que acontece nos concelhos da costa norte e sudoeste da Madeira. É um círculo vicioso que urge quebrar, prevenindo antes da prevenção dos incêndios rurais/florestais. Não basta apetrechar os bombeiros e a protecção civil de meios materiais e humanos para apagar os fogos. É preciso limpar os terrenos (se as pessoas se ajudam nos incêndios, porque não o fazem nas limpezas, por exemplo, com o apoio logístico dos municípios?), erradicar as invasoras como acácias, giesta, carqueja, silvado, eucaliptos, entre outras, plantar espécies autóctones e acompanhar ao longo dos anos (leia-se, seguir o crescimento das plantas que escolhemos e eliminar as plantas invasoras que ficam sempre nos terrenos). É um processo moroso? É, mas é importante fazer e manter, para o nosso bem e das gerações vindouras.

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publicado às 15:05



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