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Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 26 de Abril de 2020.

A Covid-19 e as suas consequências por demais conhecidas vieram reforçar a importância da Agricultura madeirense no que concerne ao abastecimento alimentar das populações. No presente, parte das produções que eram escoadas para o sector da hotelaria entretanto inactivo, estão a ser direccionadas para as Instituições de Solidariedade Social, graças à intervenção do Governo Regional da Madeira que está a adquirir hortofrutícolas, ajudando de certa maneira os agricultores que deixaram de ter os clientes habituais. As grandes empresas de distribuição alimentar, provavelmente por terem dificuldade em comprar produtos agrícolas de outros países, estão a apostar mais e bem na produção local. Porém, é preocupante ver nos seus anúncios publicitados nos órgãos de comunicação social, que apesar de apoiarem o que é nosso, praticam os preços mais baixos que o consumidor tanto deseja, mas que acaba por ser prejudicial, pois o desconto praticado vai incidir sobre a margem de lucro de quem fornece os produtos frescos. Já é altura destas empresas pagarem aos produtores o preço justo em vez do preço baixo, pois o desconto que alicia o comprador final causa prejuízo a quem durante semanas ou meses cuidou dos produtos agrícolas, suportou os encargos com os factores de produção como os fertilizantes e os pesticidas de uso agrícola que sobem de preço, e quando é suposto receber o dinheiro que lhe permitiria saldar as despesas e obter algum ganho, isso raramente acontece. Mesmo assim, ressalve-se que nestes momentos de dificuldade, os consumidores são sensíveis ao apelo de consumirmos o que é regional, o que é positivo, pois assim garantem uma alimentação diversificada e saudável, estando ainda a auxiliar a Agricultura da Região e consequentemente de quem dela depende.

No dia em que o Coronavírus deixar de interferir com a nossa vida corrente e esse dia chegará, só não sabemos quando, seria bom que retivéssemos o que estes tempos de confinamento social têm trazido. No que diz respeito ao sector agrícola, seria desejável que o sentimento que o que é regional, é bom, perdurasse. Esse sentimento regionalista de comprar preferencialmente o que está mais perto de nós, que é da nossa terra e só depois recorrer a outras regiões ou países, devia ser incutido nas escolas dos vários níveis de ensino, desde a creche até ao 12.º ano de escolaridade. À semelhança da transmissão de ensinamentos de índole ambiental, nomeadamente na separação dos resíduos recicláveis como o cartão, o papel, o plástico, o metal, o vidro, entre outros, e os orgânicos e o seu aproveitamento para a produção de composto, igual empenho deveria ser dado ao papel que a Agricultura madeirense tem, não só na sua missão de providenciar alimentos, mas igualmente no contributo muito positivo de tornar a paisagem regional muito mais agradável, para o residente e para o visitante. É tempo de nos ajudarmos mais uns aos outros. Se comercializarmos mais produtos agrícolas regionais, mais pessoas irão fixar-se no meio rural e não irão sobrecarregar as cidades e vilas, mais terrenos incultos passarão a estar cultivados, com ganhos evidentes na paisagem ao nível estético, social e económico, bem como na redução do risco de incêndios, ficando mais dinheiro por cá, robustecendo a economia da Região. Não obstante a necessidade de termos de importar bens alimentares, por não termos ou sermos deficitários em gramíneas como os cereais, o arroz, o milho, tudo o que for feito para sermos menos dependentes do que vem do exterior a nível de hortofrutícolas, tanto melhor para a nossa autonomia alimentar.

Vamos continuar a dar preferência ao que é de cá, no presente e no futuro, para o nosso bem e o dos vindouros!

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publicado às 16:02



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