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A J. Faria & Filhos

por Agricultando, em 07.12.08

Este texto foi publicado no dia 7 de Dezembro de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Nestes dias anteriores ao Natal e na azáfama para comprar as prendas que, queremos oferecer a quem mais gostamos, a escolha nem sempre se revela fácil. A sugestão do "agricultando" é que se presenteie com um dos produtos mais tradicionais da Festa (como nós carinhosamente chamamos ao Natal), os licores. É certo e sabido que os licores caseiros são cada vez mais raros de se encontrar e, isso prende-se por dois motivos. O primeiro é que há uns anos, o preço do álcool etílico devido à grande carga fiscal, tornou-se proibitivo para o consumidor individual. A segunda causa deriva do nosso quotidiano agitado, que nos impede de ter tempo e conhecimento para confeccionarmos os licores. Em Fevereiro de 1959, a J. Faria & Filhos foi fundada por João Bartolomeu Faria, tio dos três actuais administradores, Luís, Miguel e Rui Faria. O pai destes, José Amaro Faria comprou a firma um a dois anos depois da sua criação. As primeiras garrafas que saíram da J. Faria & Filhos foram de licores de aniz, tangerina, laranja e o conhecido concentrado de sumo de maracujá. Desde então, o "leque" de licores expandiu-se, estendendo-se à comercialização de Vinho Madeira, aguardentes vínicas e de cana-de-açúcar, xaropes, entre outros. Em 26 de Abril de 2007, a J. Faria & Filhos mudou-se para as novas instalações fabris, localizadas em Santa Quitéria, freguesia de Santo António, concelho do Funchal. Actualmente, dezenas de agricultores madeirenses vendem as suas produções de maracujá, banana, amora, tangerina, entre outros frutos, a esta empresa, isto sem contar com a aguardente de cana-de-açúcar, que é comprada na totalidade pela mesma ao Engenho do Porto da Cruz. Podemos encontrar os produtos desta firma nos mercados local, continental e externo, nomeadamente nas comunidades madeirenses radicadas na África do Sul e nos Estados Unidos da América, sendo que os nossos conterrâneos da diáspora preferem os licores de aniz e de maracujá. Até 2003, a Venezuela era outro dos destinos de exportação, mas devido à mudança política ocorrida naquele país, desde essa data, que não é possível vender para aquelas paragens. Na Festa, os licores mais procurados pelos madeirenses, são o de aniz e o de tangerina. A explicação dada pelo administrador da J. Faria & Filhos, Luís Faria, justifica o porquê destas preferências. Estão relacionadas com a inflorescência que o primeiro licor apresenta no interior da garrafa, sendo só por si, um atractivo, enquanto que o licor do citrino está muito enraizado no Natal madeirense. Basta recordar que a tangerina está sempre presente na nossa lapinha e o seu aroma está associado aos cheiros desta época.

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publicado às 18:24


12 comentários

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De Agricultando a 05.11.2009 às 20:13

Sr. Zeca "da Madeira",

Agradeço o seu comentário, mas desde já chamo a atenção para uma leitura mais atenta ao meu texto. Quando afirmo "um dos produtos mais tradicionais da Festa (...), os licores" é ao licor em si que o faço e não à empresa em causa.
Se continuar a ler o artigo, constata que, pelo facto dos licores caseiros serem infelizmente cada vez mais raros pelas razões aí apontadas, uma forma de tê-los lá em casa, é comprá-los desta ou de outra empresa comercial.
Quanto aos aromas artificiais (vulgarmente chamados na Madeira de essências) que diz existirem nestes licores "industriais", devo dizer-lhe que esses também são usados nos caseiros, com a finalidade de realçar os aromas e os sabores destas bebidas. Sinceramente, não vejo onde é que está o problema.
Cumprimentos.

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