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Por uma literacia agrícola consciente

por Agricultando, em 29.12.24

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 29 de Dezembro de 2024.

O final de um ano é propício ao balanço dos 12 meses e a resoluções para o ano novo que se avizinha. O que hoje trazemos a esta página pode ser usado como balanço ou como resolução de ano novo. No presente, fala-se e escreve-se muito sobre os vários tipos de literacia: financeira, ambiental, alimentar, entre outras. Ao fim e ao cabo chama-se a atenção para a importância de estarmos mais bem informados para podermos decidir melhor sobre aquelas áreas. Na área agrícola, há um tipo de literacia que deveria estar ao alcance de todos, e que podíamos designar de literacia agrícola. Não se trata de saber as culturas agrícolas e respectivas variedades mais adaptadas a um determinado lugar e certas condições climáticas, nem as pragas e doenças que atacam essas culturas e o seu controlo, nem os fertilizantes químicos e orgânicos que devemos aplicar para que se obtenham boas produções, nem os tipos de poda (se se tratar de árvores de fruto ou vinha), entre outros. A esse conhecimento diríamos que seria mais uma literacia agronómica em vez de uma literacia agrícola. A literacia agrícola que deveria ser ensinada às crianças e jovens nas escolas, é aquela que os sensibilizaria para a importância de dar preferência às produções agrícolas locais, sejam hortícolas e frutas em fresco, sejam transformados, explicando os benefícios desse comportamento, quer para a sua saúde e bem-estar, quer para a economia madeirense. O mesmo raciocínio deveria ser usado em relação aos produtos pecuários regionais, pois lá diz o ditado que "é de pequenino que se torce o pepino", isto é, que é desde tenra idade que se adquirem as bases sólidas que serão úteis para a vida.

É certo e sabido que só se valoriza aquilo que se conhece e neste âmbito, é importante transmitir às gerações mais novas e recordar às mais velhas que, num território insular pequeno como o nosso, ao adquirirmos e consumirmos produtos agrícolas que são de cá, estamos a assegurar o rendimento dos agricultores e a preservar uma paisagem agrícola humanizada singular, uma paisagem feita de poios com gente dentro. Não tenhamos dúvidas que ao comprarmos mais hortofrutícolas importados em detrimento das nossas produções agrícolas, estamos a tirar rendimento (sustento) aos produtores locais e a depauperar a paisagem agrícola madeirense, com consequências por demais conhecidas, como por exemplo zonas incultas mais vulneráveis a incêndios no Verão com instalação espontânea de plantas invasoras e deslizamento de terras no Inverno, além de infestações de pragas como o rato. Numa região turística como é o Arquipélago da Madeira, é essencial cuidar da "casa comum", e os campos agrícolas dela fazem parte, além da Laurissilva da Madeira e da riqueza do nosso mar. Costumo dizer que entre o mar e a floresta, há uma faixa vital, onde há poios e pessoas que diariamente se dedicam à nobre arte de produzir alimentos, aqueles dos quais dependemos pelo menos três vezes ao dia. Pensemos nesta mensagem, caro leitor, quando comprar produtos agrícolas, seja num supermercado, numa frutaria ou num mercado da Região. Que se dê prioridade à aquisição das produções locais, não só nesta época (na Festa), mas ao longo do ano. Ao fazê-lo, provamos que somos possuidores de literacia agrícola e cidadãos atentos e responsáveis para o bem comum.

Votos de continuação de Boas Festas e de um 2025 pleno de aquisições de produtos agrícolas e pecuários madeirenses!

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publicado às 15:17


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