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Este texto foi publicado no dia 27 de Maio de 2018, no Diário de Notícias.

A Ordem dos Engenheiros (OE) instituiu 2018 como o "Ano OE das Alterações Climáticas", tendo em conta que nas últimas décadas tem ocorrido a nível mundial o agravamento dos desequilíbrios e consequentes mudanças climáticas causadas sobretudo pelo Homem, mas de modo igual por motivos naturais. Perante a importância que alguns destes fenómenos como os incêndios, as secas e o recuo do litoral do continente têm tido recentemente em Portugal, a OE ciente do papel da Engenharia e dos Engenheiros no acompanhamento, mitigação e adaptações necessárias aos efeitos das alterações climáticas, resolveu abordar ao longo do ano e de uma forma transversal, a função das soluções tecnológicas para assegurar um futuro mais equilibrado, contando para isso com a participação activa dos órgãos nacionais e regionais daquela Ordem. Nesse âmbito, realizou-se no passado dia 4 deste mês no auditório da Sede da Região da Madeira da OE e por iniciativa do Colégio de Engenharia Agronómica local, uma "Tarde de Engenharia" sobre "Agricultura e alterações climáticas – o papel da engenharia agronómica no acompanhamento, mitigação e adaptação da agricultura às condições climáticas na Madeira". Os oradores foram o Engenheiro Miguel Castro Neto, Presidente do Conselho Nacional do Colégio de Engenharia Agronómica da OE, o Engenheiro Bernardo Melvill Araújo, Coordenador do Colégio de Engenharia Agronómica da Região da Madeira da OE e o Engenheiro Marco Gonçalves, Gestor do PRODERAM, com debate moderado pelo Engenheiro Paulo Santos, Director Regional de Agricultura. O Engenheiro Miguel Castro Neto na comunicação "O papel da engenharia agronómica no acompanhamento, mitigação e adaptação da agricultura às alterações climáticas/Que papel para a agricultura de precisão?" recordou que o aumento da população mundial irá pressionar a necessidade de produzir mais alimentos. Por outro lado, as alterações climáticas estão a mudar as zonas climáticas e agrícolas em direcção aos pólos, bem como os padrões de precipitação, sendo que ocorrerão influências positivas ou negativas nas produções agrícolas, conforme as áreas geográficas do mundo. A agricultura de precisão que já foi tema de um "Agricultando" publicado no Diário de Notícias da Madeira de 28 de Maio de 2017, é um conceito com 20 anos e nele se encontram exemplos como a gestão remota de rega por meio de aplicações móveis, salas de ordenha automatizadas, um sistema de identificação animal (brinco) que acede em tempo real à informação relativa à alimentação dos animais, a robotização de trabalhos agrícolas, os tractores autónomos (sem condutor), o agricultor biónico, entre outros. Este tipo de agricultura poderá eventualmente atenuar os efeitos das alterações climáticas, proporcionando uma melhor adaptação.

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O Engenheiro Bernardo Melvill Araújo na apresentação "Efeitos das alterações climáticas na agricultura da Madeira/Previsões para 2070-2099" deu conta de previsões que podem ser consultadas na página da internet do Observatório CLIMA-Madeira (http://clima-madeira.pt/pt). Dos vários cenários futuros ali propostos para aquele intervalo de tempo, escolheu-se o cenário A2 que se baseia num hipotético aumento da concentração atmosférica de dióxido de carbono para 800 ppmv (partes por milhão em volume), ou seja, o dobro da concentração registada em 2015, cuja consequência em comparação com o período de referência (1970-1990) seria a variação da temperatura média até mais 3ºC, e uma diminuição da precipitação até 48 por cento. O acréscimo da temperatura, por si só, poderia expandir em altitude as áreas potenciais de produção de banana, vinha, frutos subtropicais e hortícolas, nas costas sul e norte da Madeira, mas também o provável incremento de pragas, doenças e infestantes. Todavia, neste cenário, a forte redução da disponibilidade de água de rega seria bastante limitante para a expansão das culturas em causa, sendo indispensável continuar a substituição da rega tradicional por alagamento por sistemas de rega localizada (gota-a-gota, microaspersão e aspersão). O Engenheiro Marco Gonçalves na palestra sobre "A intervenção do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma da Madeira (PRODERAM) no contexto das alterações climáticas/Perspectivas para o futuro" divulgou os apoios existentes para a modernização da agricultura madeirense, com recurso ao uso das energias renováveis, a sistemas de armazenamento de água e de rega mais eficientes, e à recuperação dos canais de rega principais e secundários, esperando ainda que os apoios comunitários para o próximo quadro financeiro de 2021 a 2027 se possam manter ou mesmo acentuar, apesar da saída do Reino Unido da União Europeia.

No final do debate, ficou a ideia que independentemente do que venha a acontecer no final deste século no Arquipélago da Madeira, importa "acelerar" a instalação de sistemas de rega nas explorações agrícolas que possibilitem a poupança de água o quanto antes, pois esse precioso líquido será cada vez mais raro, e sem água, não há agricultura, não há vida!

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publicado às 16:56


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