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Textos sobre Agricultura madeirense no Diário de Notícias da Madeira (1.ª série, quinzenal - de 9.9.2007 a 13.6.2010; 2.ª série, mensal, de 30.1.2011 a 29.1.2017; 3.ª série, mensal de 26.2.2017 a ...)
Este texto foi publicado no dia 30 de Março de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Na Madeira, a cana-de-açúcar tem as melhores condições de cultivo na costa sul até aos 300 metros de altitude e na encosta norte até aos 150 a 200 metros. Existe sobretudo nos concelhos da Ponta do Sol (freguesias da Ponta do Sol e dos Canhas), Calheta (freguesias do Arco da Calheta, Calheta e do Estreito da Calheta), Ribeira Brava (freguesias de Campanário e da Tabua), Machico (freguesias de Machico e do Porto da Cruz) e Santana (freguesia do Faial). Na Região, a plantação é realizada de finais de Fevereiro até Maio no sul e de Abril a Junho no norte. As variedades mais utilizadas são a "POJ 2725" de cor roxa e a "NCO 310" de cor verde-rosada, usando-se também variedades regionais como a "Yuba" e a "Canica". Um ano após a plantação, a cana-de-açúcar é colhida, desde meados de Abril até meados de Julho. Oriunda da China e da Índia, foi plantada pela primeira vez na Madeira em 1425, tendo as estacas vindo da Sicília por ordem do Infante D. Henrique. O açúcar madeirense de excelente qualidade era destinado à corte nacional e congéneres europeias e prosperou até meados do século XVI, altura em que o açúcar do Brasil (introduzido por madeirenses) e das colónias espanholas, surgiu em grande quantidade na Europa. Nos séculos XVII e XVIII instala-se a crise no sector sacarino, ganhando novo fôlego, quando a vinha é destruída pela "mangra" (designação regional para oídio) na década de 50 do século XIX, substituindo-se muitos vinhedos por canaviais. As obras "As Saudades da Terra" e o "Elucidário Madeirense" assinalam estas referências históricas. No século passado, com o fecho do Engenho do Hinton no início dos anos 90, a área de cana-de-açúcar na Madeira reduz-se drasticamente. Para incentivar o seu cultivo, a então Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas resolve, em meados dos anos 90 do século XX garantir um preço fixo ao produtor, situação que se tem mantido até hoje. A cana sacarina depois de processada, dá origem ao mel de cana (destacado neste blogue no mês passado), que é amplamente utilizado na nossa doçaria (bolo de mel, broas de mel) e como acompanhamento em "sonhos", "mal-assadas" e, à aguardente de cana, que serve de base a bebidas típicas como a conhecida "poncha" e os licores. Para continuar a promover e a divulgar esta cultura e os seus derivados, está prevista a realização da III Feira da Cana-de-Açúcar, na segunda quinzena de Abril, no Mercado dos Agricultores da freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol.
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