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Há mais Porto Santo para descobrir!

por Agricultando, em 26.05.19

Este texto foi publicado no dia 26 de Maio de 2019, no Diário de Notícias.

Para quem não é do Porto Santo, só daquela Ilha praticamente se lembra quando o Verão está próximo e isso é facilmente constatável pela elevada afluência de visitantes nos meses de Julho, Agosto e Setembro. Porém, a Ilha Dourada tem muito mais para oferecer durante o ano. A iniciativa "Porto Santo Fest 2019 – Da terra com sabor" organizada pela Direcção Regional para a Administração Pública do Porto Santo (DRAPS), em parceria com a Associação Cultural e Recreativa do Porto Santo, a Associação de Produtores da Ilha do Porto Santo (APIPS) e Acção e Integração para o Desenvolvimento Global (AIDGLOBAL), que se iniciou a 25 de Abril e termina a 1 de Junho, tem como propósito incentivar a produção e o consumo locais de Janeiro a Dezembro. Na sequência de um honroso convite por parte da DRAPS e do seu Director Regional, Dr. Jocelino Velosa, tive a oportunidade de participar na sessão de abertura e na tertúlia "Valorizar o que é nosso!" como orador juntamente com outros intervenientes das áreas da produção agrícola, Prof. José Diogo, dos operadores turísticos, Nuno Silva e da restauração, Prof.ª Rafaela Melim, proprietária do Restaurante Torres e Rafaela Nunes, Chefe de Cozinha. Naquele final de tarde, foi opinião unânime que os produtos agrícolas do Porto Santo são muito importantes para a confecção dos pratos nos restaurantes, por terem um sabor diferente de outros produtos provenientes da Madeira e de outras paragens. Que é fundamental explicar sobretudo ao visitante estrangeiro em duas ou três frases as iguarias típicas, pois quase sempre ele irá escolhê-las para saborear algo que é da terra, que é diferente. A escarpiada é disso exemplo, um pão achatado feito à base de farinha de milho que se come com chicharros fritos, gaiado seco ou salada de serralha, e que tradicionalmente é grande, está a ser usado no Restaurante Torres num tamanho mais reduzido para ser servido como uma entrada e tem tido uma excelente aceitação. O voltar a introduzir leguminosas pouco exigentes em necessidades de água e outrora cultivadas naquela Ilha, como o chícharo e a lentilha, são relevantes, não só para uma diversificação gastronómica, mas igualmente paisagística, pois os campos estarão cuidados e apresentarão diferentes tonalidades no decorrer do ciclo produtivo. Além da utilização dos hortofrutícolas em fresco foi sublinhada a importância da transformação de restos de culturas como as cascas das semilhas e as grainhas da uva que podem ser aproveitadas para a elaboração de um petisco e de uma farinha, respectivamente. Em suma, tirar partido da riqueza de sabores e da composição química dos produtos agrícolas do Porto Santo ricos em cálcio, estrôncio e magnésio, com a indispensável divulgação permanente e proporcionar aos residentes e turistas momentos gastronómicos inesquecíveis e de bem-estar.

Após a sessão de abertura do "Porto Santo Fest 2019 – Da terra com sabor" foi dado destaque ao papel das abelhas em três iniciativas: na tertúlia "Proteger as abelhas – Direitos, ambiente e desenvolvimento" com os contributos do Engenheiro Francisco Faria da Direcção Regional de Agricultura, do apicultor porto-santense Henrique Rodrigues e do Engenheiro Nuno Mira da AIDGLOBAL, que teve lugar no passado dia 27 de Abril na sala de conferências da Assembleia Municipal do Porto Santo, na actividade "Abelhas: vilã ou heroína?" dirigida às escolas e o concurso "Sabores com mel do Porto Santo" aberto aos interessados que queiram preparar um prato doce ou salgado com mel da Ilha Dourada, que se realiza no dia 1 de Junho, no Campo Experimental do Farrobo. E porque é preciso que os solos tenham matéria orgânica para obtermos boas produções aconteceu no dia 4 deste mês, no Parque Florestal dos Salões, uma acção de demonstração sobre "Compostagem: dar valor à terra" que possibilitou a que cada um dos participantes no final pudesse levar para casa um compostor oferecido pela Águas e Resíduos da Madeira, pondo assim em prática a compostagem. A tertúlia "Sabores da Terra: do Local ao Global", no Restaurante Torres que se realizou no dia 11 do presente mês, contou com as intervenções do Dr. Roberto Santa Clara (Associação de Promoção da Madeira), da Dra. Bárbara Spínola (Secretaria Regional do Turismo e Cultura), de Alcides Nóbrega (Confraria Enogastronómica da Madeira) e da Dra. Sofia Lopes (AIDGLOBAL). A necessidade de divulgar e promover a gastronomia tradicional assente nos produtos locais foi consensual, tendo-se decidido a criação de um guia gastronómico a ser encetado pela DRAPS e pelo Município do Porto Santo com a colaboração da APIPS e do sector da restauração, onde o produto agrícola da Ilha será valorizado. Ontem, na Quinta da Tamargueira houve mais uma tertúlia sobre "Alternativas – Opções locais para uma transformação global", onde os participantes foram desafiados a decorar um saco de pano como incentivo a substituir este tipo de saco pelos de plástico. Nos dias 31 de Maio e 1 de Junho, no Campo Experimental do Farrobo haverá os "Sabores da Terra", constituídos por uma mostra gastronómica, pela venda de produtos locais, por animação e o concurso já mencionado. No último dia e por ser o Dia da Criança, pelas 16h00, os miúdos a partir dos 6 anos serão convidados a cozinhar com o Chefe de Cozinha Manuel Santos numa demonstração culinária, porque "é de pequenino que se torce o pepino", ou como quem diz, é de tenra idade que adquirimos valores e conhecimentos que nos serão úteis ao longo da vida.

Uma palavra de apreço às entidades que em boa hora organizaram o "Porto Santo Fest 2019 – Da terra com sabor" pois é uma iniciativa que merece a nossa atenção, seja da parte dos porto-santenses, seja daqueles que visitam a Ilha do Porto Santo.

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publicado às 16:18


Uma paisagem que também se come

por Agricultando, em 28.04.19

Este texto foi publicado no dia 28 de Abril de 2019, no Diário de Notícias.

Num território pequeno como é o Arquipélago da Madeira, é possível estabelecer-se uma relação directa entre sectores aparentemente opostos como a Agricultura e o Turismo. Todos os que nos visitam, seja pela primeira vez ou como repetentes, enaltecem a paisagem agrícola e igualmente a natural. O relevo, a proximidade de locais que exibem plantas e cultivos de climas tropical, subtropical e temperado à medida que se sobe encosta acima provocam no visitante sentimentos de tranquilidade e surpresa. Essas sensações agradáveis prolongam-se nos momentos que se passam à mesa, quando se desfruta de uma refeição com produtos da terra locais. E há exemplos disso. A nossa semilha [regionalismo para batata], a batata-doce e as suas variedades, o inhame (tão cobiçado nesta época do ano), o feijão maduro, a maçaroca, a cebola, o tomate, a couve, os espigos, passando por derivados como o mel de cana-de-açúcar que tradicionalmente é usado na doçaria, mas que no presente tem aplicação em vários acompanhamentos de pratos principais. E que dizer dos frutos como a banana (por vezes inexplicavelmente esquecida), a anona, o abacate, a pitanga, que além do consumo ao natural podem e devem ser transformados para deleite de quem os vai conhecer, alguns até pela primeira vez. É pois, desejável que se intensifique esta ligação da Agricultura ao Turismo na área da hotelaria e restauração, com evidentes ganhos mútuos.

No passado dia 10, o Arquitecto Rui Campos Matos num oportuno artigo de opinião publicado no Diário de Notícias da Madeira lançou a ideia de uma paisagem comestível, isto é, uma paisagem que simultaneamente encanta o sentido da visão e fornece produtos da terra e do mar à cozinha regional. É urgente aprofundar este conceito, pois dele depende a manutenção da paisagem que admiramos e contemplamos incessantemente, e que nos provoca por vezes tristeza, quando nos apercebemos que aquele pedacinho de terra outrora cultivado, está abandonado e cheio de mato. Por outras palavras, e já aqui escrevi neste espaço noutras ocasiões, dada a pequenez da Madeira e do Porto Santo, a paisagem agrícola insular só existe se cada um de nós, residentes e forasteiros, adquirirmos e consumirmos os hortofrutícolas que se produzem nos poios [regionalismo para socalcos]. Quando compramos as verduras e as frutas que vêm de fora em detrimento das de cá, estamos a depauperar a nossa paisagem, disso não tenhamos dúvidas. Um poio desprezado pelo motivo atrás descrito dificilmente voltará a ser agricultado, até porque a pessoa que lá trabalhava, por não ter encontrado o tão desejado escoamento das suas produções e consequente sustento, resolveu procurar outra ocupação ou até emigrar…

Reflictamos sobre este aspecto e tenhamos uma atitude positiva de nos ajudarmos, sim, de nos ajudarmos, porque ao comprarmos o que é nosso, estamos a auxiliar o agricultor a ter o seu ganha-pão e este ajudar-nos-á com produtos frescos e de grande qualidade essenciais para a nossa saúde e bem-estar, dando-nos ainda a tão apreciada paisagem agrícola madeirense!

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publicado às 16:37


Madeira, a Ilha da aguardente velha de cana

por Agricultando, em 31.03.19

Este texto foi publicado no dia 31 de Março de 2019, no Diário de Notícias.

Há mais de 100 anos, a Madeira foi conhecida como a "Ilha da aguardente", pois chegou-se a consumir 2 milhões de litros de aguardente de cana, tendo sido por isso publicado um decreto em 1911 que expropriava fábricas de produção desta bebida e impunha um limite à sua produção, conforme informação transmitida pelo Professor Doutor Alberto Vieira no Dicionário Enciclopédico "Aprender Madeira", disponível na internet. O "Rum da Madeira" ou aguardente de cana-de-açúcar que é Indicação Geográfica Protegida desde 20 de Fevereiro de 2008, deriva da fermentação alcoólica e destilação do sumo de cana-de-açúcar oriunda da Região, sendo produzida maioritariamente por três Engenhos: Calheta, Novo e do Norte. Todavia, neste "Agricultando" merece especial atenção, o produtor de aguardente de cana, Abel Fernandes, com 83 anos, da freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico, que se tem dedicado afincadamente à produção de aguardente velha e que me foi apresentado pelo Colega e Amigo Ricardo Costa. Com quase 40 anos de conhecimento e experiência na produção de rum, cedo começou nos anos 60 do século passado como agente do Engenho do Hinton, encarregando-se do envio de cana sacarina das freguesias do Porto da Cruz, Faial e São Roque do Faial para aquela importante unidade de transformação. Depois do fecho do Engenho do Hinton em 1986, inicia uma colaboração com o Engenho de Machico que entretanto também cessou a sua actividade, passando para os Engenhos do Norte (Porto da Cruz), onde permaneceu durante cinco anos. Então, resolveu estabelecer-se por conta própria, tendo adquirido equipamentos com mais de um século à família Welsh, proprietária do Engenho do Hinton. Ao longo do tempo este produtor apercebeu-se do valor acrescentado do "Rum da Madeira" envelhecido, isto é, a aguardente de cana sacarina que permanece em cascos de madeira de carvalho, por um período mínimo de três anos.

Abel Fernandes tem algumas dezenas de pipas de mais de 600 litros de capacidade no seu armazém, que foram compradas à Madeira Wine e a outra companhia de Vinho Madeira. Contêm aguardente de cana-de-açúcar que está armazenada há 15, 18, 21, e 24 anos, sendo de 25 anos a idade máxima de envelhecimento permitida pelo Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira. Como é perceptível, quanto mais velha é uma aguardente de cana, mais complexa é a sua cor, o seu aroma e o seu sabor, completamente distintos de um rum ou aguardente branca (como é igualmente designada) com um ano. Como é sabido, esta última é usada para a confecção da poncha, bebida madeirense que é uma mistura feita no momento de servir com aguardente de cana, mel ou açúcar, sumos de limão e/ou laranja no seu modo tradicional, e mais recentemente com sumos de maracujá, tangerina, tomate-inglês, entre outros. Por falta de espaço no armazém e por estar a aguardar o melhor momento para comercializar os lotes de aguardente velha, este produtor deixou de elaborar aguardente há dois anos. O "Rum da Madeira" envelhecido ao ser comparado com outros congéneres existentes noutras partes do globo, por prémios já conquistados em concursos mundiais e por comentários e apontamentos de conhecedores e especialistas regionais, nacionais e internacionais desta bebida, damo-nos conta que a Madeira poderá ser novamente reconhecida como a "Ilha da aguardente", não pela quantidade como o foi no princípio do século XX, mas pela qualidade de excelência das melhores aguardentes de cana sacarina envelhecidas do mundo!

E que potencial agrícola e cultural existe na Região para atrair turistas que correm mundo com o propósito de apreciar uma boa aguardente velha de cana, e que querem saber onde tudo começa (nos canaviais) e recomeça (nos engenhos).

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publicado às 15:47


Ideias para dar uma nova vida aos poios

por Agricultando, em 24.02.19

Este texto foi publicado no dia 24 de Fevereiro de 2019, no Diário de Notícias.

No contexto do IV Congresso Mundial da ITLA ("Internacional Terraced Landscapes Alliance") que acontecerá em meados de Março nas Canárias e na Madeira, realizou-se uma conferência no dia 15 de Fevereiro sobre os "Territórios em Socalcos", no auditório da Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos. Numa organização conjunta da Associação Insular de Geografia e da Delegação da Madeira da Ordem dos Arquitectos convidaram o Presidente da ITLA, Dr. Timmi Tillman e a Dr.ª Maruja Salas daquela organização, com o propósito de sensibilizar os participantes desta iniciativa para as singularidades, desafios e potencialidades dos territórios em socalcos que existem um pouco por todo o mundo, e que tal como se verifica na Região, têm um papel relevante na construção da paisagem e nos vários sectores socioeconómicos locais. Os poios, regionalismo madeirense para socalcos, foram erigidos ao longo do tempo pelos nossos antepassados para que houvesse terra para cultivar e dali tirar o sustento, e para nela habitar. A interacção homem-natureza proporcionou o uso de recursos como a pedra, a água, o solo, as sementes e as plantas de interesse agrícola que neles encerram o "engenho e arte" de uma população e de um território. Nas apresentações, os oradores destacaram a necessidade premente de trabalhar e reflectir sobre o abandono dos poios e áreas circundantes, bem assim de analisar projectos e exemplos de boas práticas que possam dar uma nova vida, novos usos e novos habitantes àqueles espaços. O IV Congresso Mundial da ITLA cujo lema é "Re-encantar Bancales", título em espanhol que se poderá traduzir por "(Re)encantar os Socalcos", dedicará uma especial atenção às Ilhas da Macaronésia (Açores, Madeira, Canárias e Cabo Verde), constituindo desse modo uma excelente oportunidade para pensar sobre um conjunto de reptos para os quais carecem de resposta urgente.

A redução do abandono da terra em áreas rurais marginais com garantia da qualidade de vida da população, a reactivação de produções agrícolas em terrenos abandonados e o respectivo fomento de reintrodução no mercado, a identificação de novos hábitos para as terras desprezadas atendendo à procura da sociedade para a saúde e o bem-estar, o envolvimento de outros sectores de produção como o turismo, a construção, os serviços e o comércio com vista à determinação de políticas territoriais comuns, o desenvolvimento de sinergias entre o público e o privado para a gestão de áreas marginais deixadas ao desleixo, são questões essenciais para que se mantenham os poios. Por outro lado, a melhoria de programas e acções de protecção contra riscos naturais como os deslizamentos de terras, inundações e incêndios, o estabelecimento de uma estrutura de entendimento entre as diferentes partes interessadas e o aumento de propostas conjuntas que permitam (re)encantar e valorizar os socalcos, e a tomada de consciência da sua relevância baseada nos princípios resultantes da Convenção Europeia da Paisagem deverão ser equacionados. O incremento de medidas na paisagem assentes na memória dos seus produtores e construtores, a adaptação de métodos e técnicas às condicionantes locais específicas, a geração de conclusões e propostas para a manutenção, conservação e valorização das paisagens em socalcos e a concepção de uma plataforma inter-administrativa capaz de instituir uma estratégia apropriada para esse fim, são outros aspectos que terão de ser considerados.

A finalizar, no debate acerca da "Paisagem em socalcos da Região Autónoma da Madeira. Diálogo de perspectivas" constatou-se que uma parte substancial daqueles desafios deixados pelos oradores convidados, foram igualmente apontados pelos 60 participantes, o que revela um consenso sobre tão importante matéria, a preservação dos poios.

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publicado às 16:41


O valor da Agricultura Familiar na Região

por Agricultando, em 27.01.19

Este texto foi publicado no dia 27 de Janeiro de 2019, no Diário de Notícias.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas proclamou em Dezembro de 2017, que o período de 2019 a 2028 fosse a Década da Agricultura Familiar. Recorde-se que a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação) já tinha instituído 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF) e que teve grande repercussão a nível mundial. A Agricultura Familiar (AF) contribui para a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade agrícola e das tradições alimentares locais, a dinamização da economia regional e o bem-estar das populações. A Década da Agricultura Familiar 2019-2028 pretende reconhecer a relevância daquele tipo de agricultura, onde se incluem os agricultores de pequena dimensão produtiva, os trabalhadores rurais, os pastores, os povos indígenas, os pescadores artesanais, entre outros e o papel que desempenharão na implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. É um facto que a AF produz mais de 80 por cento dos alimentos produzidos no mundo, embora os agricultores familiares pertençam a um dos grupos sociais mais sujeitos à fome e à pobreza. Por isso, é crucial que se erradique a pobreza, a fome e se promova um equilíbrio ambiental através da AF, nas próximas décadas. Em Portugal, e como consequência daquilo que foi preconizado durante o AIAF, surge o Decreto-Lei n.º 64/2018 de 7 de Agosto que cria o Estatuto da Agricultura Familiar. Os objectivos gerais daquele Estatuto passam pelo reconhecimento e distinção da especificidade da Pequena Agricultura Familiar (PAF) nas suas diversas dimensões económica, territorial, social e ambiental; na promoção de políticas públicas adequadas para este estrato socioprofissional; na promoção e valorização da produção local e melhoria dos respetivos circuitos de comercialização; na promoção de uma agricultura sustentável, incentivando a melhoria dos sistemas e métodos de produção; na contribuição para contrariar a desertificação dos territórios do interior e na concessão da PAF como um valor estratégico, a ter em conta, designadamente nas prioridades das políticas agrícolas nacional e europeia.

Na sequência do referido Decreto-Lei que determinava a formação de uma Comissão Nacional de Agricultura Familiar (CNAF), este órgão reuniu-se pela primeira vez no passado dia 14 de Dezembro para um ponto da situação sobre a entrada em vigor daquele diploma, e para a discussão sobre o conteúdo de uma futura portaria a propósito do procedimento de reconhecimento do Estatuto da Agricultura Familiar aos agricultores. A Comissão tem competência no acompanhamento do Decreto-Lei n.º 64/2018 de 7 de Agosto, mormente na sua aplicação, na avaliação e na elaboração do relatório anual do funcionamento do regime. A CNAF é presidida pelo Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural e é composta por membros de várias áreas governativas como as das Finanças, Trabalho e Solidariedade Social, Saúde, Economia, Ambiente, Mar, entre outras, das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, de organizações de produtores, de desenvolvimento local e das Associações Nacionais de Municípios e de Freguesias. Acerca da Madeira e do Porto Santo, e de acordo com o Recenseamento Agrícola de 2009, a população agrícola familiar constituída pelo produtor agrícola e pelos elementos do seu agregado familiar rondava as 41.000 pessoas, cerca de 15 por cento da população do Arquipélago. Há dez anos, as explorações agrícolas madeirenses dedicadas à Agricultura Familiar representavam 99 por cento, sendo que mais de três quartos tinham uma área agrícola útil inferior a 5.000 metros quadrados (meio hectare). Neste ano em que se realiza mais um Recenseamento Agrícola, os números serão diferentes com a mais que provável redução do número de produtores agrícolas e de elementos pertencentes à família.

Sobre esta matéria e atendendo às especificidades da agricultura madeirense, tudo indica que haverá uma adaptação da legislação nacional à Região. Para que se atenda às características das explorações agrícolas familiares locais e dos seus agricultores, e o estabelecimento de possíveis medidas de incentivo e defesa deste tipo de agricultura que é tão importante para a manutenção da nossa paisagem agrícola, tão apreciada pelos que cá vivem como por aqueles que nos visitam.

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publicado às 16:05


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