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Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 28 de Março de 2021.

No "Agricultando" do mês transacto recordaram-se os investimentos empreendidos pela Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira (CAAHM) realizados nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado, que proporcionaram quase o dobro da área agrícola irrigada, sobretudo na costa sul da Ilha da Madeira. No decorrer do tempo, é natural que as levadas então construídas se tenham degradado parcial ou totalmente, como consequência de deslizamentos de terras, da ocorrência de incêndios, entre outros. A Levada do Norte, uma das obras mais importantes promovida pela CAAHM, que se inicia a 1.000 metros de altitude, na Ribeira do Portal da Burra, no cume da Ribeira do Seixal, na vertente norte, leva água do norte para o sul da Ilha, para as freguesias da Serra de Água, Ribeira Brava, Campanário, Quinta Grande, Estreito de Câmara de Lobos e Câmara de Lobos. Antes do aproveitamento agrícola, há o proveito hidroeléctrico através da Central Hidroeléctrica da Serra de Água (antiga Central Salazar), cuja água no presente reverte depois para o provimento de água potável às populações dos concelhos da Ribeira Brava, Câmara de Lobos e parte do Funchal, e de água de rega dos municípios ribeira-bravense e câmara-lobense. Contudo, as encostas da margem esquerda da Ribeira Brava, mais precisamente entre os sítios da Ameixieira e Espigão, pertencentes às freguesias da Serra de Água e Ribeira Brava, respectivamente, há algum tempo que apresentam instabilidade e pioraram devido às intempéries e aos incêndios, que ocorreram no final da primeira e começo da segunda décadas deste século. Os enormes estragos e obstruções frequentes do Canal e subsequentes perdas de água potável e de rega põem em risco pessoas, bens e o abastecimento público do precioso líquido.

Perante esta situação desfavorável, a Águas e Resíduos da Madeira (ARM) decidiu recuperar a Levada do Norte para que se reduzissem as perdas, tendo principiado em Novembro de 2019 a construção do Túnel do Pedregal, que terá uma extensão final de 5.400 metros e uma capacidade de armazenamento no seu interior de 40.000 metros cúbicos de água, ou seja, 40 milhões de litros. A conclusão da obra está prevista acontecer no último trimestre deste ano, podendo haver atrasos atendendo à sua grandeza e grau de dificuldade. Crê-se que, a partir de meados da Primavera de 2022, mais de 9.000 explorações agrícolas com uma área total à volta de 800 hectares, localizadas nos concelhos da Ribeira Brava e Câmara de Lobos, possam beneficiar desta importante intervenção, que resolverá a crónica falta de água de rega na época de Maio a Outubro. Será assegurada igualmente uma relevante reserva de água que permitirá à Região uma melhor adaptação às alterações climáticas, além de asseverar melhores condições de segurança aos funcionários da ARM, que ali trabalham. No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e no que à componente da gestão hídrica e do regadio agrícola diz respeito para o período 2021-2026, há a destacar o projecto de aproveitamento das águas do Seixal, a recuperação do lanço norte da Levada do Norte e da Levada das Rabaças, assim como os reforços dos caudais de adução das Levadas do Norte e dos Tornos. O Sistema Elevatório do Seixal irá possibilitar a utilização das águas emergentes do Túnel do Seixal, intensificando o seu fornecimento à Levada do Norte e garantindo o regadio no Verão. O recobro do canal e dos túneis do lanço norte da Levada do Norte irá aumentar a disponibilidade hídrica, a fiabilidade e a segurança da infra-estrutura. A Levada das Rabaças com uma extensão aproximada de nove quilómetros está em funcionamento há 60 anos. Por isso, carece de uma acção que possa dar mais força à produção eléctrica na Central Hidroeléctrica da Serra de Água e posteriormente à quantidade de água de rega no lanço sul da Levada do Norte, que abrange os municípios da Ribeira Brava e de Câmara de Lobos. O reforço da adução do lanço sul da Levada dos Tornos por meio da construção da Lagoa das Águas Mansas II, no sítio do Ribeiro Serrão, freguesia da Camacha, concelho de Santa Cruz irá melhorar o abastecimento de água potável e de rega do sudeste da Madeira. Estima-se que aquela lagoa tenha uma capacidade mínima de armazenamento de 400.000 metros cúbicos.

Assim, no conjunto da construção do Túnel do Pedregal e dos investimentos previstos no PRR serão gastos 90 milhões de euros, montante esse que terá um efeito multiplicador na economia e na agricultura regionais, pois poderá suscitar interesse para que se volte a cultivar terrenos com aptidão agrícola que hoje em dia estão incultos pela escassez ou ausência de água, elemento vital para que se obtenham boas e abundantes produções.

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publicado às 15:39

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 28 de Fevereiro de 2021.

A publicação "O Aproveitamento da Água na Ilha da Madeira (1944-1969)" editada pelo Ministério das Obras Públicas através da Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira (CAAHM) aquando do 25.º aniversário daquela Comissão, foi-me dada a conhecer há pouco tempo pelo meu amigo, Engenheiro Amílcar Gonçalves. Este livro largamente ilustrado com fotografias dos Perestrellos Photógrafos, resume os investimentos realizados pela CAAHM, quer no reforço do caudal da água de rega na costa sul, quer na electrificação rural da Madeira. No início da década de 40 do século passado, a superfície arável estimava-se em cerca de 30.000 hectares, dos quais 20.000 é que se aproveitavam, mas só 11.000 hectares eram irrigados com muitas limitações, por não haver mais água que estivesse disponível. Sabia-se que a Madeira tinha abundância em água, mas não estava a ser devidamente aproveitada e havia que mudar esse cenário. Por isso, em finais de Junho de 1939, o Governo envia uma Missão à Madeira para efectuar um reconhecimento das oportunidades técnicas e económicas, sob o ponto de vista hidroagrícola e hidroeléctrico. Em Julho daquele ano, o então Ministro das Obras Públicas, Engenheiro Duarte Pacheco, convida para a chefia da Missão, o Engenheiro José Gromwell Camossa Pinto, Inspector Superior de Obras Públicas, o Engenheiro Civil Manuel Rafael Amaro da Costa, o Engenheiro Electrotécnico Francisco Ferreira Pinto Basto e o Engenheiro Agrónomo José Augusto de Almeida Salema de Azevedo. Em Junho de 1940, a Missão apresentava um notável e detalhado relatório que veio a definir mais tarde os trabalhos a concretizar e a entidade que os iria pôr no terreno. Desse modo, a 21 de Outubro de 1943, cria-se a CAAHM, presidida pelo Engenheiro Manuel Rafael Amaro da Costa, com o intuito de levar a cabo o plano geral dos aproveitamentos hidroagrícolas e hidroeléctricos, administrar e dirigir as obras. No ano seguinte, procedeu-se à sua instalação, ao estudo dos projectos da primeira fase do plano, com o arranque dos trabalhos em 1947. Assim, o propósito essencial dos aproveitamentos hidráulicos assenta em dois objectivos: conduzir as águas perdidas ou sem utilização na costa norte para as terras secas da vertente sul, sem prejuízo do alargamento da zona de regadio nortenha, e conjugar a produção de energia eléctrica com a imperativa necessidade de irrigação das terras, turbinando as águas antes de serem disponibilizadas para o regadio. Nessa linha de raciocínio, surgem as centrais hidroeléctricas interpostas nos aproveitamentos hidroagrícolas, na cota máxima das terras irrigadas a sul, à volta dos 600 metros de altitude. Sem querer alongar este artigo, apenas uma nota que foi necessário regulamentar na altura o uso das águas, públicas e privadas (heréus), nestes então novos melhoramentos, sem pôr em causa os direitos adquiridos, mas tendo presente que a água devia chegar a todos os regantes, mediante o pagamento de uma taxa de exploração e conservação, pelo serviço prestado pela entidade que administra as águas.

madeira_poios_DR.jpg(Direitos Reservados)

A primeira obra da primeira fase do plano a ser concluída em 1949, foi a de Machico-Caniçal, contemplando uma área de 500 hectares. Em 1952, era inaugurada a Levada do Norte que iria abranger os concelhos da Ribeira Brava e de Câmara de Lobos, numa área de 2.700 hectares, com uma extensão de canais na ordem dos 50,5 quilómetros, dos quais 10,5, em túnel. Um ano depois, os canais alcançam todas as freguesias do concelho da Calheta, Madalena do Mar (município da Ponta do Sol) e Achadas da Cruz (município do Porto Moniz), favorecendo as explorações e os seus moradores, numa área de 4.000 hectares. Ainda em 1953, são concluídas as Centrais Hidroeléctricas da Serra de Água (antes designada de Salazar) e da Calheta (anteriormente chamada de J. F. Ulrich), que se intercalam com os trabalhos das Levadas do Norte e da Calheta. Na segunda fase do plano, o seu começo deu-se com o melhoramento hidroagrícola da Ponta do Sol, abarcando aquele município e o concelho vizinho da Ribeira Brava, em que houve reforço dos caudais das Centrais da Calheta e da Serra de Água, sendo que nesta última Central é lançada mais água no regadio dos terrenos da Ribeira Brava a Câmara de Lobos. Em finais de 1961, realiza-se a construção das Levadas do Paul II e das Rabaças, cujas águas convergem para a câmara de carga do Paul da Serra, da Central da Calheta e reforçam o caudal turbinado, na Central da Serra de Água, melhorando o regadio de 2.300 hectares. Em Setembro de 1966, entra em funcionamento o lanço sul da Levada dos Tornos relativo ao aproveitamento hidroagrícola do Funchal e de Santa Cruz, proporcionando o regadio integral de amplas zonas de sequeiro como as dos arredores do leste do Funchal e Santa Cruz, solucionando ainda o problema de abastecimento de água potável do Funchal e permitindo a criação de outros aproveitamentos hidroeléctricos como o da Central da Fajã da Nogueira. Por servir o regadio de 9.900 hectares, torna-se na mais considerável obra dos novos aproveitamentos hidráulicos da Madeira, atingindo 106 quilómetros de canais principais, dos quais 16, em túnel. Em 1967, na conclusão do plano, completam-se os trabalhos de correcção do traçado e revestimento da caixa da Levada dos Cardais, em São Vicente, para irrigar uma área de 200 hectares, e das Levadas dos Moinhos e dos Brasileiros, no Porto Moniz, para o regadio de 1.300 hectares. Estes melhoramentos foram executados no sentido de haver água de rega, na costa sul, de dia e de noite, entre Maio e Outubro, dos 600 metros de altitude até à beira-mar, elevando-se a mais de 30.000 regantes beneficiados.

Certamente que nos anos seguintes, a paisagem rural alterou-se profundamente, com a irrigação de mais de 20.000 hectares (e não os 11.000 antes do plano), com o consequente aumento e diversificação de cultivos agrícolas nas áreas da horticultura e fruticultura, em especial a bananeira, que é uma cultura exigente em água ao longo do ano.

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publicado às 16:03


Um ano dedicado às frutas e legumes

por Agricultando, em 31.01.21

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 31 de Janeiro de 2021.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2021 como Ano Internacional das Frutas e Legumes (AIFL). Cabe à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em colaboração com outras entidades como a Organização Mundial de Saúde, sensibilizar a opinião pública para o papel que estes produtos agrícolas representam para a nutrição humana, a segurança alimentar e a saúde, bem como na concretização dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. Os objectivos do AIFL passam pela consciencialização crescente das vantagens do consumo de hortofrutícolas na alimentação e na saúde, na promoção de dietas diversificadas, equilibradas e saudáveis, na redução das perdas e desperdícios nos sistemas alimentares de frutas e verduras, e na partilha das boas práticas. As frutas e legumes são boas fontes de fibras, vitaminas e sais minerais e contém fitoquímicos benéficos, podendo contribuir para a diminuição da obesidade, hipertensão arterial e os níveis altos de colesterol no sangue. Estima-se que uma quantidade mínima diária de 400 gramas de hortofrutícolas ou cinco porções faz bem à nossa saúde, sendo recomendada a sua introdução na alimentação a partir dos seis meses de idade e ao longo da vida. Porém, mais de 50 por cento das produções agrícolas obtidas em países em desenvolvimento é perdida na cadeia de abastecimento entre a colheita e o consumo, representando uma perda progressiva de recursos escassos como o solo e a água. Existem ainda quantidades significativas de frutas e legumes que, apesar de edíveis, são desperdiçadas ao longo do sistema alimentar por motivos estéticos ou pelo seu formato irregular. A rastreabilidade e as inovações digitais permitem seguir e localizar as produções da exploração ao consumidor final, o que alarga as oportunidades comerciais, reduz perdas e desperdícios e torna a cadeia de valor mais transparente. A grande diversidade de hortofrutícolas oferece opções que são adaptáveis aos diferentes sistemas de produção e mercados. Por outro lado, quando comparadas com outras culturas, as frutas e legumes de maior valor comercial podem ser rentáveis sob o ponto de vista de áreas de cultivo mais pequenas e de menos exigência em água e nutrientes. Mais recentemente, a pandemia da covid-19 demonstrou que as cadeias curtas de distribuição e comercialização possibilitam ocasiões favoráveis de negócio para os agricultores familiares das zonas urbanas e periurbanas.

Blackfin_Logo_IYFV2021_H_Col_PT.jpg(Direitos Reservados)

O Ano Internacional das Frutas e Legumes integra-se na Década de Acção da ONU sobre a Nutrição (2016-2025) e na Década da Agricultura Familiar da ONU (2019-2028), podendo mesmo ser um trampolim para a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. Importa clarificar que os frutos e legumes considerados neste AIFL são as partes comestíveis da planta como flores, rebentos, folhas, caules e raízes, cultivados ou espontâneos, consumidos em fresco ou minimamente transformados, isto é, lavados, seleccionados, aparados, descascados, fatiados, embalados, em saladas, congelados e desidratados. A semilha [regionalismo para batata], batata doce, inhame, noz, coco, sementes de girassol, chá, café, cacau, produtos processados ou ultra-processados que tenham frutos ou verduras como matéria prima como o vinho ou as bebidas espirituosas, sumos embalados, "ketchup", leguminosas secas, cereais, milho, a não ser que tenham sido colhidas imaturas, plantas medicinais e aromáticas, especiarias, a menos que sejam utilizadas como legumes, estão excluídos daquela definição. Felizmente, no que diz respeito à Região, temos uma variedade de hortofrutícolas de grande qualidade que, no decorrer do ano, estão disponíveis para o consumo local, quer em casa, quer na hotelaria e restauração.

Aproveitemos estes tempos incertos ocasionados pela pandemia para mudarmos de comportamentos alimentares, dando sempre preferência pela aquisição de produtos agrícolas que são de cá, não só por serem mais próximos e por isso mais frescos, mas sobretudo porque estamos a ajudar a economia regional e a fixar populações no meio rural.

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publicado às 14:59


O desejo de trazer à memória a castanha

por Agricultando, em 27.12.20

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 27 de Dezembro de 2020.

Nos últimos 20 anos, o Dr. Jorge Lage tem-se dedicado à divulgação da cultura do castanheiro e da castanha, em Portugal, nas mais variadas vertentes. Recuando no tempo, em 2001 lançou "A Castanha – Saberes e Sabores" que foi editado três vezes e encontra-se esgotado, depois "Castanea – Uma dádiva dos deuses" de 2005 com duas edições, "Memórias da Maria Castanha" de 2013, "Maria Castanha – Outras Memórias" de 2016 e "Romanceiro da Castanha" de 2018. Agora, no final de 2020, é apresentada a obra mais recente, "Quem me dera cá o tempo – Antologia da Maria Castanha" coordenada pelo Dr. Jorge Lage, o seu sexto título sobre a castanha e o castanheiro. Como o título sugere, reúne textos e poemas de mais de 80 autores, com idades, formações e percursos de vida distintos. O Investigador e Jornalista Jorge Lage, notável transmontano natural de Mirandela, convidou um grupo de pessoas, que por uma razão ou outra, estivessem ligados ao fruto, tendo-lhes pedido que o texto ou poema não ultrapassasse uma página, desafio que foi aceite por todos. E nas laudas da Antologia podemos encontrar textos do Professor Doutor Adriano Moreira, Professor Doutor Jorge Paiva, Dr.ª Edite Estrela, Jornalista José António Saraiva, da madeirense Dr.ª Graça Alves, entre outros, e também um escrito da minha autoria, ao qual agradeço o honroso convite endereçado pelo Coordenador desta publicação.

Este livro com 239 páginas, conta com o prefácio do Professor Telmo Verdelho da Universidade de Aveiro, que no final do seu texto, ao referir-se à Antologia escreve que «[...] Tem verdade, tem arte, tem emoção, alguma nostalgia, bastante saudade e um justificado louvor aos nossos pais e à terra onde começamos a ver o mundo. Honra lhe seja feita!». Na nota introdutória, o Dr. Jorge Lage dá a ideia de estar a concluir «[...] este trabalho solitário, árido e duro, com esta Antologia, reunindo escritores ligados ao país castanícola e de diferentes níveis sociais». Reforça mesmo a ideia que «[...] Foi uma procura de saberes etnográficos e gastronómicos sobre a castanha e o castanheiro do "souto lusitano", prolongando-se por duas décadas e desejando memorar e promover a biodiversidade, os usos e costumes castanhícolas e a ruralidade de um país maravilhoso, no seu rincão, nas suas gentes e na sua história». Aos já mencionados prefácio e nota introdutória, "Quem me dera cá o tempo – Antologia da Maria Castanha" está dividida pelos seguintes capítulos: "Da castanha", "Apanha e rebusco", "A castanha na gastronomia", "Magosto" (palavra em mirandês que deu origem à palavra magusto), "Jogos com castanhas", "Do castanheiro", "Do souto", "Usos e costumes e outros", "Apêndice de recensões" e "Tábua de autores".

Para o admirador de castanha, esta Antologia irá revelar-se como um repasto literário recheado de prosa e poesia que enaltece o fruto, a árvore, os sabores, os saberes, usos e costumes das nossas gentes, merecendo por isso, a nossa melhor atenção. A obra está disponível na Livraria Académica (telefone 222005988 ou pelo email livraria-academica@sapo.pt), no Porto, Livraria Minho (telefone 253271152 ou pelo email lminho@livrariaminho.pt), em Braga e a Livraria Traga Mundos (telefone 259103113 ou pelo email traga.mundos1@gmail.com), em Vila Real.

A quem me lê, votos de Boas Festas e um feliz 2021 pleno de esperança!

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publicado às 16:47


Os 80 anos do Mercado dos Lavradores

por Agricultando, em 29.11.20

Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 29 de Novembro de 2020.

No pretérito dia 24, o Mercado dos Lavradores alcançou os 80 anos e o Município do Funchal assinalou esta efeméride com um conjunto de actividades, das quais aqui se destaca uma exposição fotográfica, que estará patente no primeiro piso até 31 de Dezembro. Nessa exposição podemos apreciar fotografias do Museu de Fotografia da Madeira – Atelier Vicente’s cedidas pela Direcção Regional de Arquivo e Biblioteca da Madeira da Secretaria Regional do Turismo e Cultura e por Floriano Sousa, comerciante naquele Mercado, que retratam o dia da inauguração, 24 de Novembro de 1940, assim como o quotidiano daquele espaço emblemático, no período compreendido entre 1940 e 1968. A venda de frutas, verduras e flores, de peixe e de carne, desde logo atraíram milhares de madeirenses e forasteiros, ora para abastecerem-se de víveres, ora para sentir o pulsar do dia-a-dia citadino. Logo no início vêem-se fotografias do local onde foi instalado o Mercado, antes da sua construção, havendo até alguma dificuldade em reconhecer aqueles edifícios que entretanto foram demolidos. Como uma das curiosidades da mostra, e atestando a dinâmica que o Mercado dos Lavradores chegou a ter, não só a nível comercial, mas igualmente nos campos social e cultural, dá-se conta da existência de um Clube Desportivo do Mercado, como se pode ver num par de fotografias de 1950 da colecção particular de Floriano Sousa, que juntamente com a sua esposa, Arlinda Sousa, foram justamente homenageados pela Câmara Municipal por serem dois dos lojistas mais antigos do Mercado.

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(Direitos Reservados)

Cabe nesta ocasião lembrar que em 1938, o Arquitecto Edmundo Tavares (1892-1983), também autor da Agência do Banco de Portugal no Funchal e do Liceu Jaime Moniz construídos na mesma época, projectou o Mercado dos Lavradores, dotando-o de amplidão e com luz natural em todos os pisos, sendo considerado uma referência do estilo modernista. Edificado propositadamente no ano em que se celebrava os então 800 anos da Fundação (1140) e os 3 séculos da Restauração da Independência de Portugal (1640), o Mercado era inaugurado pelo Governador do Distrito Autónomo do Funchal, Dr. Branco Camacho, e pelo Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Dr. Fernão de Ornelas na presença do Presidente da Junta Geral do Distrito Autónomo, Dr. João Abel de Freitas e demais entidades civis, militares e religiosas. Com uma área coberta de 9.600 metros quadrados, o Mercado dos Lavradores foi e ainda é um dos lugares obrigatórios de visita, embora tenha perdido clientes nas últimas décadas, como consequência da oferta de supermercados e hipermercados no Funchal e noutros concelhos. Contudo, ir ao Mercado é ter a certeza que terá um atendimento personalizado e de grande qualidade, seja na aquisição dos produtos agrícolas, do peixe ou da carne. Ao fazê-lo está a ajudar a economia regional, em particular o sector primário, pois uma parte substancial do que ali se vende, ainda é de cá. Tenhamos consciência que muitos agricultores dependem daquele ponto, e que além de fornecerem as produções agrícolas locais, preservam a tão estimada paisagem agrícola madeirense. Sem o nosso apoio, isto é, sem as nossas compras, mais tarde ou mais cedo desistirão da actividade, deixando-nos a todos irremediavelmente mais pobres.

Agora, que a Festa [regionalismo para a palavra Natal] se aproxima, visite e desfrute do que o Mercado dos Lavradores tem para oferecer-lhe!

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publicado às 15:16


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