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Este texto foi publicado no Diário de Notícias, no dia 27 de Outubro de 2019.

No passado dia 14 deste mês, o Colégio Regional de Engenharia Agronómica da Região da Madeira da Ordem dos Engenheiros (RMOE) realizou no seu auditório, uma Tarde de Engenharia subordinada ao tema "Vieira Natividade e a Fruticultura Madeirense". Os oradores desta iniciativa pertencentes à Direcção Regional de Agricultura foram este vosso articulista e o Engenheiro Agrónomo Rui Nunes, Director de Serviços de Desenvolvimento da Agricultura. Após a abertura presidida pela Coordenadora Regional do Colégio de Engenharia Agronómica da RMOE, Engenheira Luísa Gouveia, coube-me a primeira comunicação, baseada nessa obra maior intitulada "Fomento da Fruticultura na Madeira" do Professor Joaquim Vieira Natividade, de 1947, cujo lançamento da reedição no âmbito das Comemorações dos 600 Anos da Descoberta do Porto Santo e da Madeira aconteceu em Novembro de 2018, no seguimento de uma proposta da minha autoria que foi prontamente aceite pelo Coordenador do Serviço de Publicações da Direcção Regional da Cultura/Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Dr. Marcelino de Castro, que me convidou para prefaciar aquela publicação. A atestar a clarividência de Joaquim Vieira Natividade, cito uma frase extraída do capítulo "Os Factores Adversos à Fruticultura" que ainda é actual: «A fruticultura nunca pode deixar de ocupar lugar secundário dentro da exploração agrícola insulana; não podemos (a não ser em casos raros) estabelecer pomares, no sentido, não diremos já americano, mas até europeu da palavra; será sempre modesto, mercê de múltiplas circunstâncias, o volume da produção de fruta (exceptuando, é claro, a banana) em relação ao montante das outras produções agrícolas da Ilha. Por tudo isto, não se nos afigura difícil encontrar uma modalidade cultural adaptável a tais circunstâncias e onde se atenuem, até onde for possível atenuá-los, os inconvenientes incontestáveis da grande fragmentação da terra». Ao longo do livro, Vieira Natividade, apesar de reconhecer as limitações ao fomento frutícola madeirense acredita nas suas potencialidades. O clima, o solo, o saber-fazer do Agricultor e o trabalho dos Técnicos são o garante de continuar a satisfazer melhor as necessidades do mercado regional, o abastecimento de navios, que outrora eram os navios de transporte regular de passageiros a nível nacional e internacional e que por aqui passavam, e no presente são os navios de cruzeiro que nos visitam grosso modo de Setembro até Maio, bem como a aposta nos mercados externos, não só para a banana, mas para a anona, o maracujá e o abacate. Defende igualmente a criação de uma Estação de Fruticultura da Madeira, para que os recursos frutícolas da Região possam ser valorizados, recorrendo-se no decorrer do tempo à experimentação e assente num plano de conjunto.

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Professor Joaquim Vieira Natividade, Eng.º Agrónomo António Teixeira de Sousa e Eng.º Agrónomo Rui Vieira (Direitos Reservados)

Na apresentação do Engenheiro Rui Nunes fez-se o contraponto entre aquilo que o Professor Joaquim Vieira Natividade tinha preconizado em meados da década de 40 do século XX e o que veio efectivamente a suceder nos anos 80 daquele século. Naquela época, não obstante a Região apresentar zonas com aptidão para a produção e consequente crescimento do sector frutícola, este (salvo a cultura da bananeira) era considerado a "cauda" da agricultura, quando comparado com a viticultura e a horticultura. Depois, mostrou um histórico e a evolução sobretudo tecnológica das culturas da bananeira, anoneira, abacateiro, mangueiro, maracujazeiro, papaieira, pitangueira e da fruticultura de clima temperado, com ênfase para a macieira, pereira e ameixeira. Relevou o trabalho técnico no contexto da experimentação aplicada e do melhoramento genético varietal, iniciado em 1985 e que prosseguiu até finais dos anos 90 do século passado, com o Plano de Fomento da Fruticultura da Madeira e a criação do Centro de Desenvolvimento de Fruticultura Subtropical e Tropical, localizado no sítio das Quebradas, freguesia de São Martinho, concelho do Funchal. Trata-se de uma unidade de investigação agronómica de referência para as culturas da anoneira, abacateiro, mangueiro, maracujazeiro, papaieira, entre outras, que se materializou graças ao labor dos Engenheiros Agrónomos Manuel Pita e Ricardo França, como Técnicos e como Dirigentes. O hiato de 40 anos entre a visão de Vieira Natividade e o que foi concretizado há cerca de 35 anos deve-se a vários factores como a ausência de recursos humanos qualificados, o ciclo económico desfavorável após a II Guerra Mundial e que origina uma emigração em massa, os efeitos da guerra colonial, a transição da ditadura para a democracia e o surgimento da Região Autónoma da Madeira, assim como as crises financeiras do país que contaram com a intervenção do Fundo Monetário Internacional. No final da exposição, além do Professor Joaquim Vieira Natividade, foram recordados os Engenheiros Agrónomos António Teixeira de Sousa e Rui Vieira, pelos seus significativos contributos à fruticultura regional em particular e à agricultura regional em geral, quer no campo tecnológico, quer no campo político. A título pessoal, o Engenheiro Rui Nunes agradeceu a cooperação dos Colegas Adriano Maia, na área da fruticultura de clima temperado, Ramiro Pereira, na cultura da pitangueira e eu, na cultura da anoneira, que desenvolveram na então Divisão de Fruticultura em finais dos anos 90 e na primeira década deste século.

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Em primeiro plano, Engenheiros Agrónomos Manuel Pita e Ricardo França (Direitos Reservados)

Em jeito de conclusão desta Tarde de Engenharia, importa sublinhar, fazendo jus ao ditado «mais vale tarde do que nunca», que a fruticultura madeirense progrediu positivamente e que carece de um novo plano de fomento frutícola para dar resposta às alterações climáticas e à obtenção de alimentos saudáveis e isentos de resíduos de pesticidas de uso agrícola.

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publicado às 15:37


O sonho de José Cardina que se tornou num Museu

por Agricultando, em 29.09.19

Este texto foi publicado no dia 29 de Setembro de 2019, no Diário de Notícias.

Nestes primeiros dias de Outono com as vindimas a caminhar para o seu fim é oportuno recordar que no Porto Santo há mais para ver e desfrutar do que o extenso areal dourado. O Museu do Cardina, localizado no Beco do Museu, Estrada Domingo de Ornelas, no sítio da Camacha, freguesia e concelho do Porto Santo, é um local que deve ser visitado ou revisitado. O seu proprietário, José Cardina Freitas Melim, funcionário da Administração dos Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM), a partir de 1997, começou a coleccionar diversas alfaias agrícolas e outros objectos utilizados nas indústrias artesanais, que eram abandonadas em função do seu desuso. Em 2003, constrói o edifício de formato octaédrico que se assemelha à planta dos moinhos, onde coloca a sua colecção, tornando-a acessível ao público após a inauguração levada a cabo a 25 de Agosto de 2006. Neste espaço idealizado por José Cardina encontramos no piso térreo uma secção da lavoura com o carro de bois, que servia de meio de transporte, a eira onde se triturava a palha e debulhava o trigo, o arado e as enxadas. O vinho que chegou a ser um importante sector económico da Ilha Dourada está representado por dois tipos de lagar, um mais rústico e o de fuso. As profissões de um passado não muito distante como a de ferreiro estão expostas com um fole que pertenceu aos últimos ferreiros em actividade naquela Ilha. Lá forjavam-se as enxadas, os bicos de arado e até fechaduras. A pesca artesanal também tem o seu nicho com um barco típico, canas de pesca, arpões e demais instrumentos associados àquele modo de vida. A cozinha do antigamente com o seu forno onde se cozia o pão e os móveis necessários para as refeições e a conservação dos alimentos. Ainda no rés-do-chão, revela-se a faceta de artesão de José Cardina, pois recriou fielmente réplicas de moinhos e de lagares à escala de 1:5.

No primeiro andar, os 16 fontenários outrora muito utilizados pela população porto-santense para abastecimento de água potável estão ali patentes à escala de 1:10. Estas réplicas feitas com as mesmas pedras dos originais, respeitam a traça e o mais pequeno detalhe de cada uma das estruturas, destacando-se aqui pela sua importância sobre os demais, os fontenários da Fontinha (que ainda está a funcionar), da Serra de Dentro e da Fonte da Areia. Sobre a Fonte da Areia há que relembrar que há 40 anos era um ponto de visita obrigatório, carecendo de atenção no presente, por quem de direito, no sentido da sua recuperação. Podem ver-se igualmente miniaturas de uma fornalha e utensílios de cozinha, o trilho que se usava na eira aquando da debulha dos cereais, o arado, o lagar, entre outros. E no final da visita, para prolongar a memória deste lugar único de grande homenagem aos antepassados que despenderam ao longo do tempo muito "suor, sangue e lágrimas", teimando em tornar a Ilha do Porto Santo num lugar aprazível e acolhedor, nada melhor do que comprar um par de garrafas de Vinho do Porto Santo da produção de José Cardina.

Um bem haja a este Homem que idealizou este Museu, pois só com muito amor, carinho e dedicação (e até alguma insistência, estou certo disso) é que se consegue construir algo de tão belo e significativo para que o passado não seja esquecido hoje em dia e que encha de orgulho todos aqueles que ainda estão por vir.

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publicado às 16:48


Uma dúzia de anos a agricultar!

por Agricultando, em 09.09.19

A 9 de Setembro de 2007 surgia o "Agricultando", rubrica de opinião sobre Agricultura madeirense na revista do Diário de Notícias da Madeira.

Captura de ecrã 2015-09-9, às 22.06.57.png

O "Pêro da Ponta do Pargo em festa" foi o primeiro artigo de um conjunto de 174 textos publicados até à presente data (71 textos da 1.ª série - 9.9.2007 a 13.6.2010, 72 textos da 2.ª série - 30.1.2011 a 29.1.2017 mais 31 textos da 3.ª série iniciada a 26.2.2017, e que se encontra em curso). A estes cento e setenta e quatro escritos há que juntar mais dois artigos-resumo das 1.ª e 2.ª séries que foram publicados no Diário de Notícias da Madeira a 13.6.2010 e 29.1.2017, respectivamente.

Depois, publicaram-se os 71 textos da 1.ª série em livro a 21 de Março de 2011 com a respectiva versão inglesa, a 16 de Dezembro de 2013.

Passados 12 anos nunca pensei estar ainda a escrever. O facto de saber que o Agricultando é lido por muitos leitores do Diário de Notícias da Madeira, aqui no blogue e na página de facebook, dá-me alento para continuar, fazendo aquilo que mais gosto: escrever sobre o que de bom a Madeira e o Porto Santo tiveram ou têm a nível agrícola e gastronómico.

Enquanto houver leitores neste cantinho, haverá Agricultando!

Muito grato a quem me lê!

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publicado às 11:57

Este texto foi publicado no dia 25 de Agosto de 2019, no Diário de Notícias.

No passado dia 14 deste mês, a Secretaria Regional do Turismo e Cultura através da Direcção Regional de Turismo (DRT) lançou o guia "Rota da Cana-Sacarina e do Rum da Madeira", no Museu da Quinta das Cruzes, no Funchal. Esta publicação contou com a colaboração de dezena e meia de entidades públicas e privadas tais como engenhos de cana-de-açúcar, museus e lojas de degustação e venda de produtos como a aguardente de cana, o mel-de-cana ou até mesmo cosméticos que contêm mel-de-cana biológico desenvolvidos pela marca Terramiga. A brochura de 32 páginas pode ser descarregada na página de internet do Turismo da Madeira ou obtida gratuitamente num dos Postos de Informação Turística da DRT, estando disponível em cinco línguas (português, inglês, espanhol, francês e alemão). Ao percorrermos as suas folhas, encontramos informações desta cultura agrícola madeirense multissecular sobre a sua história, algumas curiosidades, como por exemplo, que a economia do açúcar originou grande prosperidade às famílias produtoras que lhes permitiram construir casas em pedra cobertas com telha de barro, surgindo assim as tão conhecidas "Quintas" da Madeira, a sua produção, os seus derivados, os tipos de rum, os engenhos em funcionamento e visitáveis com entrada livre, os Museus "A Cidade do Açúcar", de Arte Sacra do Funchal, da Quinta das Cruzes e o Etnográfico da Madeira, bem como um par de estabelecimentos comerciais que dispõem de uma vasta oferta de aguardentes de cana da Madeira.

Este roteiro distingue também os eventos que promovem e valorizam anualmente a cana-de-açúcar como a "Feira Regional da Cana-de-Açúcar e seus Derivados" que se realiza em Março ou Abril, na freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol, o "Festival Apanha da Cana" que acontece em Abril, na freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico, o "Festival do Rum da Madeira" que tem lugar nos meses de Abril ou Maio, no Funchal, aquando da laboração dos engenhos e anuncia a primeira edição do Festival do Açúcar que será organizado pela DRT e terá lugar em Julho de 2020, no Funchal. No final da publicação, consta um pertinente mapa da Madeira onde se indicam os pontos de interesse anteriormente descritos, o número de explorações produtoras de cana-sacarina e respectivas áreas de produção em hectares. Porém, seria oportuno que se corrigissem algumas gralhas no mapa, mormente o número de explorações e as áreas de produção dos concelhos da Calheta e da Ponta do Sol que se apresentam iguais, o que é pouco provável e bem assim onde se assinala erradamente o Engenho de Abel Fernandes, localizado em Gaula, concelho de Santa Cruz, quando na realidade aquela unidade transformadora situa-se na freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico. Por ser uma cultura agrícola tão familiar quase que nos esquecemos da sua importância socioeconómica no decurso dos seis séculos da presença dos portugueses no Arquipélago da Madeira, pelo que tudo o que se fizer para recordá-la é sempre positivo e digno de registo.

Desse modo, deixo aqui uma nota de apreço para quem idealizou este guia "Rota da Cana-Sacarina e do Rum da Madeira", pois dá mais visibilidade à cana-de-açúcar e aos produtos que dela derivam, quer ao residente, quer sobretudo ao visitante. Como proposta de melhoria, sugiro que numa próxima revisão introduzam um índice e uma ficha técnica com menção ao ano de edição, numerem as páginas e no futuro procedam a actualizações periódicas.

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publicado às 16:30

Este texto foi publicado no dia 28 de Julho de 2019, no Diário de Notícias.

Em finais de Junho, a Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM) disponibilizou a "Série Retrospectiva das Estatísticas da Agricultura e Pesca da Região Autónoma da Madeira (1976-2018)", na sua página de internet. Assim, actualizaram-se os dados sobre as áreas e produções das culturas mais importantes e a sua evolução ao longo de 43 anos. Ao compararmos 2017 e 2018, nos cultivos temporários, verificaram-se aumentos de produção de batata-doce, cebola e nabo. Na alface, semilha, cana-de-açúcar, feijão verde e tomate, constataram-se diminuições das quantidades produzidas, não se registando oscilações nos quantitativos de cenoura, inhame e milho para maçaroca. Quanto às culturas permanentes e atendendo aos dois anos em causa, as produções de anona, limão e pêro para sidra cresceram, sendo que as de abacate, banana e uva baixaram, com a de castanha a atingir um valor aproximado e as de cereja e maçã a igualar os números de 2017. As razões que poderão explicar o sobe-e-desce das produções agrícolas regionais estão relacionadas com as condições climáticas, a existência e o aparecimento de pragas e doenças (algumas de introdução recente), o preço pago ao produtor, a importação massiva de produtos homólogos (embora alguns até sejam de menor qualidade) a preços de venda mais baixos que os de origem regional, entre outros.

Nesta publicação anual da DREM podemos igualmente analisar informação relativa ao Modo de Produção Biológico (MPB) desde 2008. Em 2018, alcançaram-se 187,6 hectares (mais 21,7 por cento que a área total em 2017) e 139 agricultores (mais 7,8 por cento que em 2017). Contudo, para termos uma ideia do peso que o MPB representa no total de área agrícola (biológico e em protecção integrada), e com base nos valores mais recentes que se referem a 2016, a Região tinha 4.893,2 hectares, enquanto que a área de produção biológica naquele ano contribuía com 152,3 hectares (3,1 por cento). A tendência será aumentar já que há cada vez mais procura do consumidor por produtos agrícolas sem pesticidas de uso agrícola químicos, mas ainda haverá um certo caminho a percorrer. À luz do conhecimento agronómico presente, e para vários hortofrutícolas, o controlo eficaz de pragas e doenças, necessita de ser feito com recurso aos "remédios" como vulgarmente também são conhecidos, reduzindo os níveis de infestação de determinadas pragas como a mosca da fruta e as cochonilhas. Caso contrário, comprometem-se seriamente as quantidades pretendidas e o respectivo rendimento. No ano em que se realiza mais um Recenseamento Agrícola (RA) e cujas entrevistas presenciais acontecerão entre Outubro de 2019 e Maio de 2020, em todo o país, teremos na verdade outros números distintos daqueles que foram obtidos no RA de 2009. Porém, uma coisa é evidente, a preferência que todos nós como consumidores damos (ou deveríamos dar) aos produtos agrícolas de origem regional, influencia favoravelmente o desempenho das áreas e produções agrícolas, isto é, fomenta a sua manutenção ou mesmo a expansão.

Façamos o que deve ser feito e como acto responsável de cidadania, compremos o que é nosso, sempre!

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publicado às 15:59


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