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Este texto foi publicado no dia 26 de Junho de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

A aceitação das candidaturas das Ilhas Selvagens e das Levadas da Madeira a Património Mundial propostas pelo Governo Regional na Lista Indicativa de Portugal da Comissão Nacional da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura que ocorreu em finais de Maio, foi um importante passo com vista ao reconhecimento mundial. Relativamente às Levadas da Madeira, importa referir que estas estão intrinsecamente ligadas aos poios [regionalismo para socalcos], isto é, as levadas não existiriam sem os poios, e os poios não estariam agricultados e com o tão elogiado e estimado verde agrícola se as levadas não "levassem" a água até lá. Como cidadão atento ao que se passa na Agricultura da Região e se tal ainda fosse tecnicamente e politicamente exequível, muito gostaria que na candidatura das Levadas da Madeira a Património Mundial, os poios fossem igualmente parte integrante da mesma, denominando-se eventualmente de Levadas e Poios da Madeira. Porque os poios são um legado dos nossos antepassados que, com "engenho e arte", mas com grande sacrifício físico, perdendo por vezes as suas vidas, construíram uma insigne obra de engenharia civil de cariz popular e de enorme valor patrimonial, uma vez que não se utiliza argamassa e são pedras sobre pedras colocadas numa lógica de sustentação física duradoura, que suporta a terra arável. Este recurso que é sempre escasso, na Madeira ainda seria mais caso o Homem não tivesse erigido os poios. A reforçar esta minha opinião de defesa de uma candidatura das Levadas e Poios da Madeira a Património Mundial, cito Joaquim Vieira Natividade numa publicação de 1953 intitulada "Madeira – A Epopeia Rural" onde este distinto Agrónomo alcobacense realça o trabalho notável dos poios e afirma a dada altura: “(...) E o homem, o pigmeu, atacou a montanha. Durante séculos não cessou o trabalho rude da picareta e da alavanca, e à custa de vidas, de suor e sangue talharam-se na rocha as gigantescas escadarias, sem que o alcantilado das escarpas, a fundura dos despenhadeiros ou a vertigem dos abismos detivessem os passos do titã. Monumento este único no mundo, porque jamais em parte alguma, com tão grande amplitude, tanto esforço humano foi empregado na conquista da terra.” Aproveitemos esta oportunidade para que as gerações vindouras respeitem, valorizem e dêem continuidade ao que de mais extraordinário foi feito na Madeira desde o povoamento, as levadas e os poios!

O Restaurante Maré Alta (telefone: 291607126; com página no facebook) situado no Largo da Praça (mesmo em frente ao Mercado Municipal), freguesia e concelho de Machico começou a sua actividade em Abril de 2009. O nome desta casa é comum ao de uma peixaria do Mercado Municipal de Machico onde se cozinhava outrora o peixe que o cliente ali adquiria, e que entretanto essa parte da restauração passou para o actual espaço. O proprietário João Paulo Mendes Rodrigues faz questão de usar a maioria do peixe da costa vindo directamente da peixaria, pois a sua frescura é o ingrediente principal neste restaurante. Num possível repasto, como entrada uma dose de lapas grelhadas ou de gaiado seco tão característico daquele concelho. No prato principal, o peixe fresco do dia que pode ser o pargo, o bodião, a garoupa, o cherne, conforme a disponibilidade, um bife de atum ou um filete de espada acompanhados de batata cozida, batata doce e salada são boas escolhas. A fechar, um pudim de caramelo ou de maracujá para os que não resistem à gulodice.

À semelhança do fazer questão de ter peixe local, há uma predilecção pelos produtos agrícolas regionais como a semilha [regionalismo para batata], a batata doce, a cenoura, a cebola, a alface, o tomate, entre outras hortícolas, por serem mais frescos e conferirem aos pratos aquele gostinho especial!

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