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As levadas

por Agricultando, em 30.05.10

Este texto foi publicado no dia 30 de Maio de 2010, na revista "Mais" do Diário de Notícias. “Rochas e água, o eterno conflito do estático com o dinâmico que tragicamente se reflecte na orografia da Ilha. (...) E o madeirense venceu a água: o que era torrente perigosa e rebelde, força agressiva e destruidora, sujeitou-se à vontade do homem. E a água corre agora docemente pelas levadas”. Estas frases retiradas do livro "Madeira – A Epopeia Rural" do Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade descrevem bem, o quão difícil foi "domesticar" as águas que corriam velozmente nas ribeiras, para que o precioso líquido "alimentasse" a terra. Como é sabido, as levadas são canais de rega abertos, construídas em alvenaria, sendo que as mais extensas têm dezenas de quilómetros e a maioria provém dos pontos centrais da Madeira. Ao longo dos séculos, construiu-se uma rede de levadas que irrigasse sobretudo as culturas agrícolas da costa sul. Segundo o "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, o documento mais antigo respeitante às levadas, é uma carta datada de 1461 do Infante D. Fernando, onde se estabelecia que dois homens ficariam incumbidos de repartirem as águas. Nos anos seguintes, procurou-se assegurar através de legislação, que a água de regadio chegasse efectivamente às culturas agrícolas localizadas nas zonas de baixa altitude. A partir de meados do século XIX, as principais levadas passaram para o Estado, já que estas infra-estruturas acarretavam custos de construção e manutenção incomportáveis para os particulares. Nos anos 40 do século XX, realizaram-se melhoramentos nos aproveitamentos hídricos para aumentar a produção hidroeléctrica e a actividade agrícola, sendo que esse importante trabalho, foi realizado pela Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira. Posteriormente, esta Comissão procedeu à estatização das principais levadas da Ilha, com recurso à aquisição ou expropriação de terrenos, de águas particulares e outros direitos. Em 1977, o Governo Regional assume a administração das águas públicas de rega, em especial as que estavam sob a responsabilidade da Comissão Administrativa dos Aproveitamentos Hidráulicos da Madeira. Actualmente, a gestão da rede de levadas é partilhada por diversas entidades públicas como a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais, a Investimentos e Gestão da Água e a Empresa de Electricidade da Madeira e, por privados como as Comissões de Levadas, com estatutos próprios, que garantem a conservação, a reparação e o serviço de distribuição de água aos seus associados. As levadas da Madeira são conhecidas além-fronteiras, graças aos turistas que fazem as caminhadas e se deliciam com as paisagens deslumbrantes. Porém, é preciso não esquecer que estas "artérias" de água erigidas com notável esforço sobre-humano, no decorrer dos tempos, surgiram com um só propósito. Fazer desta Região de terrenos acidentados, uma terra agrícola fértil que é única no Mundo!

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