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Registar para memória futura

por Agricultando, em 29.01.17

Este texto foi publicado no dia 29 de Janeiro de 2017, no Diário de Notícias.

Seis anos depois do primeiro texto da segunda série do "Agricultando" dedicada à agricultura e à gastronomia na vertente da hotelaria e restauração, é chegado o momento de fechar este ciclo. Ao fim de 72 artigos iniciados em Janeiro de 2011, quero continuar a escrever mensalmente neste espaço sobre agricultura, mas sem a obrigatoriedade de indicar sempre um restaurante da Região. Não quer dizer que tenha abrangido todas as casas que merecessem um destaque nesta página, pois ser-me-ia impossível fazê-lo. Contudo, entendo que é altura de encetar a terceira série de textos do "Agricultando", recordando que a primeira série tornou-se livro em Março de 2011, onde estão compilados 71 textos sobre Agricultura madeirense que foram publicados na então revista do Diário de Notícias da Madeira entre 9 de Setembro de 2007 e 30 de Maio de 2010. A defesa persistente pelos produtos da terra desde que tenham frescura e qualidade, a importância da nossa paisagem agrícola, a indústria agro-alimentar local, um estabelecimento comercial que dê primazia ao que é de cá, um livro técnico ou generalista sobre o "engenho e arte" do cultivo do solo estará sempre presente. Porque apesar da pequena dimensão da Madeira e do Porto Santo e das conhecidas limitações específicas da nossa agricultura, ainda há muito por registar para memória futura.

Assim, o escrito de hoje é de balanço dos 72 meses anteriores.

Ao longo do tempo caracterizei os concelhos de Câmara de Lobos, Machico, Ponta do Sol, Porto Moniz, Porto Santo, Santana, Santa Cruz e São Vicente. Sublinhei o interesse de comprarmos os produtos agrícolas locais para reduzir a "pegada ecológica" e contribuir para a economia rural. Os certames agrícolas e o seu valor na promoção dos hortofrutícolas e suas utilizações na gastronomia. O trabalho conjunto da Associação de Agricultores da Madeira e a Universidade da Madeira no âmbito do Germobanco Agrícola da Madeira, onde se tem recuperado, conservado e caracterizado espécies agrícolas como o trigo, a batata doce, o milho, o feijão, a fava, a ervilha, a cebola e as variedades regionais de pêros e maçãs, a cereja, o figo, entre outras. A frescura e a inegável qualidade dos produtos agrícolas de cá que tornam os pratos servidos na restauração mais genuínos e apetecíveis, quer para o residente, quer para o visitante. A necessidade que alguns restaurantes têm, de possuir produções próprias e de adquirir localmente aquilo que faz falta na cozinha. A escolha inteligente de utilizar os produtos da época, diversificando assim no decorrer dos meses a oferta de iguarias. A ruralidade que o Funchal ainda apresenta nos jardins das casas e nos terrenos cultivados com hortícolas, bananeiras ou pomares, nas hortas urbanas e o seu contributo para a subsistência de muitas famílias e o papel terapêutico que proporcionam aos seus utilizadores. O alerta que a manutenção da paisagem agrícola madeirense passa pelo consumo dos produtos agrícolas locais que se sucedem ciclicamente no curso das estações. A preferência pelo que é regional fixa as populações rurais e dinamiza a economia, criando riqueza entre nós, na agricultura e noutros sectores, como é o caso de alguns exemplos da hotelaria e restauração regionais. As referências para os Anos Internacionais da Agricultura Familiar em 2014, dos Solos em 2015 e das Leguminosas em 2016, promovidos pela FAO, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. A candidatura das "Levadas da Madeira" a Património Mundial e a pertinência de incluir os poios passando para algo mais abrangente e que fosse denominada de "Levadas e Poios da Madeira", pois as levadas não existiriam sem os poios e os poios não sobreviveriam sem a água das levadas. O Observatório da Paisagem da Madeira que deverá ser mais pluridisciplinar que as instituições fundadoras, devendo incluir outros parceiros como a Região da Madeira da Ordem dos Engenheiros, Associações representativas dos agricultores e jovens agricultores, Secretaria Regional de Agricultura e Pescas através da Direcção Regional de Agricultura. Os livros "O Natal na Madeira" do Pe. Manuel Juvenal Pita Ferreira, "Gastronomia Tradicional da Madeira e do Porto Santo" publicado pela então Direcção Regional dos Assuntos Culturais, "Memórias da Maria Castanha" e "Maria Castanha – Outras Memórias" de Jorge Lage, "Sabores – Receitas Tradicionais Madeirenses" e "Maravilhas da Gastronomia Madeirense" da Academia Madeirense das Carnes/Confraria Gastronómica da Madeira, "Provérbios Agrícolas Portugueses" de Paulo Patrício Brum Amaral e "Apontamentos de Etnografia Madeirense (São Jorge e Norte da Ilha)" de António Marques da Silva, que estão ligados à agricultura e à gastronomia e que merecem uma leitura cuidada.

Entre Janeiro de 2011 e Dezembro de 2016 trouxe a esta rubrica seis dezenas de restaurantes, sendo que um terço está situado no concelho do Funchal e que 15 encontram-se localizados na costa norte, sem esquecer os quatro estabelecimentos da Ilha Dourada. Alguns fecharam como consequência dos anos economicamente difíceis, quer por via do aumento dos impostos, quer pela diminuição do poder de compra dos clientes que deixaram de comer fora ou que o fizeram menos vezes. Em todas as casas, constatei a relevância que davam aos produtos frescos, por essa ser uma das características essenciais para a confecção de um bom prato e parte do segredo do sucesso comercial. Como curiosidade, refira-se que só abordava o proprietário ou o gerente no final do repasto para pedir a indispensável autorização de publicação e recolha de informações sobre o restaurante, evitando dessa forma que estes pudessem ficar condicionados se me apresentasse antes da refeição. Durante este tempo, apenas tive duas recusas de não publicação, o que confesso, me deixou estupefacto já que se tratava de uma excelente oportunidade de divulgação desses restaurantes.

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