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Uma sugestão agrícola para o Porto Santo

por Agricultando, em 31.07.16

Este texto foi publicado no dia 31 de Julho de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

Estamos em pleno Verão e é caso para dizer que Verão sem Porto Santo não é Verão. É claro que a Ilha Dourada merece ser recordada todo o tempo não só pelo seu vasto areal e magnífico mar, mas também pelo que está em terra. É inquestionável que os hortofrutícolas locais têm um gostinho diferente dos demais e isso é perceptível por exemplo na cebola, no tomate, na cenoura, na batata doce, na melancia, no figo, na uva "Caracol", no tabaibo. Contudo, sabe-se que a falta de água de rega compromete uma eventual expansão. A intensidade e constância do vento e os solos de textura arenosa são outros factores limitantes da agricultura porto-santense. Há pois que contar com aquelas condicionantes para que se possa encontrar uma possível solução. E uma dessas soluções poderá passar por uma maior aposta por culturas que necessitem de pouca água, sejam relativamente resistentes ao vento e que se adaptem bem ao solo arenoso. Pela extensão de terrenos que existem no Porto Santo, o tabaibo que pode considerar-se acessório no presente, é certamente uma alternativa a ter em conta num futuro próximo. Além do fruto, aproveitam-se as "folhas" (que não são mais que os seus ramos) jovens e adultas, quer para a alimentação humana, quer para a alimentação animal, respectivamente. A transformação do tabaibo em compota, licor, sumo, batido e até na pastelaria, permitiria prolongar a sua sazonalidade tornando-se mais um excelente atractivo local com potencial de comercialização na Madeira. O que aqui sugiro não é inédito, pois no Alentejo e no Algarve nos últimos cinco anos o tabaibo ou figo da Índia como é conhecido no Continente tem-se desenvolvido com sucesso agro-comercial em fresco e através dos derivados.

O Bar/Restaurante João do Cabeço (telefone: 291982137; com página no facebook) localizado no Sítio do Cabeço, freguesia e concelho do Porto Santo abriu portas a 21 de Setembro de 1992. Porém, antes daquela data a história desta casa começa como um palheiro com vacas no início da década de 70 do século passado, que depois é convertida em adega, já que o seu proprietário, João dos Ramos Vasconcelos (ou como ficou mais conhecido, João do Cabeço) era igualmente viticultor e produzia vinho das castas "Listrão" e "Caracol". Actualmente, este espaço é gerido pela filha Magda Vasconcelos e pelo genro Gil Gaspar apesar de Maria Teresa Ferreira Câmara (viúva de João do Cabeço) ser a proprietária. Se no princípio eram as bebidas que predominavam, logo os clientes pediam algo para acompanhá-las e assim foi-se fazendo a casa que servia chouriço assado na brasa, um prego, um picadinho com molho da casa ou um aconchegante caldo verde. No presente, estas iguarias são muito procuradas juntamente com o guloso bolo do caco, as lapas grelhadas, a sopa de tomate e cebola, o bife da casa grelhado com bacon, ovo e ananás, a posta de espada, entre outras. Nos doces caseiros, o bolo de bolacha, o pudim de flan ou o "brownie" com gelado são os mais cobiçados. A fazer jus às suas origens agrícolas, de realçar que o João do Cabeço usa produtos agrícolas locais como o tomate, a cebola, a cenoura, a batata doce, a semilha [regionalismo para batata], a alface, pois o seu sabor distinto aliado ao saber-fazer dos cozinheiros faz com que se queira regressar sempre àquele lugar!

E porque hoje o meu filho Joaquim celebra o seu primeiro aniversário, quero dedicar-lhe este "Agricultando"!

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publicado às 16:24


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