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Sentir-se em casa!

por Agricultando, em 29.06.14

Este texto foi publicado no dia 29 de Junho de 2014, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

No ano em que se assinala o Ano Internacional da Agricultura Familiar por iniciativa da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), a Secretaria Regional do Ambiente e dos Recursos Naturais através da Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural em parceria com a Universidade da Madeira (UMa) e a Associação Portuguesa da Economia Agrária, levou a cabo no dia 20 de Junho, no Funchal, uma conferência sobre a "Agricultura Familiar na Região Autónoma da Madeira – Passado, Presente e (que?) Futuro", tema muito querido para nós, já que segundo o Recenseamento Agrícola de 2009, mais de 99% das explorações agrícolas são consideradas familiares. Das intervenções dessa conferência, destaco aqui algumas. Numa perspectiva histórica, o Doutor Alberto Vieira do Centro de Estudos de História do Atlântico sublinhou a importância deste tipo de agricultura aquando do povoamento, baseado na “ideia de partilha de força de trabalho, de riqueza e capacidades” entre as famílias, que condicionadas pela orografia difícil da Madeira, se juntaram para construir e usufruir das levadas e para a realização dos amanhos culturais, consoante o ciclo cultural, situação que ainda ocorre nos nossos dias, no que se refere ao trabalho agrícola. Como testemunho do presente, Joel Freitas da Associação Madeira Rural, relevou a agricultura como complemento da oferta turística rural, quer na vertente cultural, quer na preservação do património agrícola e edificado local/regional. No tempo que há-de vir, o Professor Doutor Miguel Ângelo Carvalho da UMa referiu o papel da Agricultura Familiar na manutenção e conservação de variedades regionais e do património genético agrícola local, como elementos diferenciadores de produções agrícolas de outras origens, com ganhos económicos para a Região. Deu como exemplos, as variedades regionais antigas de semilha [regionalismo para batata], "francesa" e "batateira", de milho "Santana", de feijão e a transformação industrial da batata doce para o sector da panificação e pastelaria. Importa pois reter que a Agricultura Familiar é um marco da Agricultura madeirense, que deve ser acarinhada, para que os nossos produtos agrícolas estejam sempre presentes nas mesas das nossas casas e dos hotéis e restaurantes, porque fazem a diferença!

O Restaurante Mercearia São Pedro (telefone: 291237659, com página no facebook), localizado na Rua das Pretas, número 51, freguesia de São Pedro, concelho do Funchal, abriu em 14 de Janeiro de 2013 pelas mãos da proprietária, Bernarda Silva. Com uma decoração idealizada pela promotora deste espaço, a fazer lembrar o ambiente de uma mercearia, este não poderia ser mais acolhedor. Como guia de uma refeição, poderá escolher como entrada, um saboroso pão recheado com linguiça e três queijos. Se é apreciador de sopas, pode contar com a sopa da Avó. Nos pratos principais, o atum no forno e o bacalhau com natas, nos peixes, e a carne de porco assada com batatinhas, castanhas e legumes da época e o arroz de pato, nas carnes. Para finalizar, uma original tarte de pepinela, um pudim de pão ou um sortido de bolinhos, feitos nesta casa. Tratando-se de um restaurante com envolvência familiar e cultivando um bom relacionamento com a vizinhança, Bernarda Silva faz questão de comprar os hortofrutícolas de origem regional na conhecida Barraca Fava Rica, à Rua do Castanheiro. Os ovos, o peixe e a carne ali servidos, são também locais. Mais vocacionada para almoços, a Mercearia São Pedro funciona de segunda-feira a sábado (encerrando ao domingo), sendo que para jantar, é necessário reservar com antecedência e para grupos com o mínimo de dez convivas. Eis assim mais um exemplo que o sucesso da gastronomia madeirense passa pela aquisição dos produtos da terra e do mar regionais e pelo saber-fazer do cozinheiro. Ao fazermos isso, estamos a dinamizar a economia local e a perpetuar a muito bela e única paisagem agrícola insular. E a Mercearia São Pedro faz a sua parte e muito bem!

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