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A hidroponia

por Agricultando, em 22.03.09

Este texto foi publicado no dia 22 de Março de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. A hidroponia é o cultivo agrícola sem solo, em que as plantas recebem uma solução nutritiva equilibrada constituída por água e pelos nutrientes fundamentais ao seu desenvolvimento. As raízes podem estar em meio líquido designado por NFT (sigla em inglês para Nutrient Film Technique) ou em meio inerte, como por exemplo a fibra de côco ou a areia lavada. A diferença entre as duas variantes, é que a primeira, baseia-se numa corrente lenta de uma solução fertilizante, da espessura de uma película, que circula na água, onde estão as hortícolas. A segunda associa um material inerte à solução nutritiva, apresentando um aspecto húmido em vez de molhado em permanência. As plantas encontram-se em tubos perfurados ou recipientes, sendo "alimentadas" a partir de um reservatório. Crê-se que os Jardins Suspensos da Babilónia, uma das sete maravilhas do mundo antigo construídos em 600 a.C., foram a primeira tentativa de sucesso em hidroponia. Depois ao longo da História e em todo o mundo, foram achados vestígios arqueológicos dos primórdios deste conceito de cultivo de plantas sem solo, assim como testemunhos documentados de investigadores. Nas décadas de 20 e 30 do século passado, o Doutor William Frederick Gericke da Universidade da Califórnia, Campus de Berkeley, concentrou o seu trabalho científico no cultivo agrícola sem solo em escala comercial, consagrando-o como ciência. Graças a ele, utilizou-se pela primeira vez em 1937, a palavra hidroponia, que deriva do grego, "hydro" (água) e "ponos" (trabalho). No final dos anos 70 do século XX, esta forma de cultivo expandiu-se globalmente devido ao surgimento de novos plásticos usados na sua tecnologia. Hoje, a hidroponia por ser muito produtiva e de elevada qualidade, é uma mais-valia para as zonas áridas do México, Médio Oriente e Índia, onde é preciso alimentar populações com grande crescimento demográfico. Noutros países, o produto hidropónico é considerado "gourmet", sendo até testado em programas espaciais. A HortiCalheta de Carlos Gonçalves criada em 2002, dedica-se em exclusivo à hidroponia, que ainda é pouco conhecida em Portugal. Tem uma superfície agrícola de 6000 m2, em três estufas automatizadas, localizadas no sítio da Ribeira Funda, freguesia do Estreito da Calheta, concelho da Calheta, contíguas ao Parque Empresarial. As hortícolas produzidas são a alface, o nabo, a rúcula e as ervas aromáticas como a salsa, os coentros e o manjericão, sujeitas a um rigoroso controlo de qualidade por parte do comprador. Como curiosidade, refira-se que este agricultor – outrora encarregado geral de uma conhecida empresa de construção civil da zona Oeste – produz 1000 a 1500 quilos de alface e 300 quilos de nabo por dia!

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publicado às 17:03

O abacate

por Agricultando, em 08.03.09

Este texto foi publicado no dia 8 de Março de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. O México, a Guatemala e as Antilhas (antigas Índias Ocidentais) são as três "casas" do abacate, diferindo umas das outras, através de diversas variedades com características próprias. Ao longo dos tempos, a cultura do abacateiro expandiu-se pelos restantes continentes, em especial, a partir da Califórnia (Estados Unidos da América), na década de 20 do século passado. Actualmente, os principais países produtores são o México, EUA, Israel e África do Sul. Na Europa, existem pomares em Espanha, Itália, Grécia e em Portugal, além da Madeira, o abacate é cultivado no Algarve. Entre nós, chamamos a este fruto, pêra abacate, tendo em conta que a sua forma predominante, é o de uma pêra. Podemos encontrar outros formatos como o oval e o esférico. De acordo com o relatório final de curso do Engenheiro Agrónomo Leandro Aguiar Câmara, "Fruticultura Subtropical na Ilha da Madeira" de 1955 – que cita o Tenente Coronel Alberto Sarmento, ilustre investigador madeirense – a introdução do abacateiro nesta Região deu-se em meados do século XIX, quando um morgado regressado do Pará (Brasil), trouxe uma semente desta espécie. Acrescenta-se ainda que nessa época, esta árvore era mais conhecida como "árvore de sombra", do que propriamente como produtora de frutos. Nos nossos dias, esta fruteira encontra as melhores condições de cultivo até aos 400 metros de altitude na costa sul e os 150 metros na vertente norte, achando-se um pouco por todo o lado, em pés dispersos, alguns deles de grande porte ou em pomares. Os concelhos com maior produção são os de Santana, Funchal, Santa Cruz e Calheta. As variedades de abacate melhor adaptadas às nossas condições de solo e clima, são a "Pinkerton", a "Hass" (conhecida localmente por "israelita") e a "Fuerte", havendo ainda uma grande diversidade de variedades propagadas por semente no decorrer do tempo, com interesse produtivo e comercial. A época de colheita sucede de Outubro até Julho, consoante a variedade, a altitude, a localização geográfica e as condições climatéricas locais. As pragas mais habituais são os ácaros (vulgo "aranhiços") e as cochonilhas e, as doenças mais comuns são as podridões das raízes provocadas pelos fungos Armillaria sp. e Phytophtora sp. No que respeita ao seu consumo, o abacate é utilizado como acompanhamento em pratos de peixe, de carne e em saladas, sendo temperado com azeite, sal ou pimenta, havendo quem o use em vez de manteiga, para barrar o pão. Tradicionalmente na Região, come-se como sobremesa, cortando-o em dois, e adicionando açúcar, mel de cana, mel ou Vinho Madeira, existindo também outros deliciosos derivados como o pudim ou o gelado de abacate.

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publicado às 17:59


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