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A cana-de-açúcar

por Agricultando, em 31.03.08

Este texto foi publicado no dia 30 de Março de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Na Madeira, a cana-de-açúcar tem as melhores condições de cultivo na costa sul até aos 300 metros de altitude e na encosta norte até aos 150 a 200 metros. Existe sobretudo nos concelhos da Ponta do Sol (freguesias da Ponta do Sol e dos Canhas), Calheta (freguesias do Arco da Calheta, Calheta e do Estreito da Calheta), Ribeira Brava (freguesias de Campanário e da Tabua), Machico (freguesias de Machico e do Porto da Cruz) e Santana (freguesia do Faial). Na Região, a plantação é realizada de finais de Fevereiro até Maio no sul e de Abril a Junho no norte. As variedades mais utilizadas são a "POJ 2725" de cor roxa e a "NCO 310" de cor verde-rosada, usando-se também variedades regionais como a "Yuba" e a "Canica". Um ano após a plantação, a cana-de-açúcar é colhida, desde meados de Abril até meados de Julho. Oriunda da China e da Índia, foi plantada pela primeira vez na Madeira em 1425, tendo as estacas vindo da Sicília por ordem do Infante D. Henrique. O açúcar madeirense de excelente qualidade era destinado à corte nacional e congéneres europeias e prosperou até meados do século XVI, altura em que o açúcar do Brasil (introduzido por madeirenses) e das colónias espanholas, surgiu em grande quantidade na Europa. Nos séculos XVII e XVIII instala-se a crise no sector sacarino, ganhando novo fôlego, quando a vinha é destruída pela "mangra" (designação regional para oídio) na década de 50 do século XIX, substituindo-se muitos vinhedos por canaviais. As obras "As Saudades da Terra" e o "Elucidário Madeirense" assinalam estas referências históricas. No século passado, com o fecho do Engenho do Hinton no início dos anos 90, a área de cana-de-açúcar na Madeira reduz-se drasticamente. Para incentivar o seu cultivo, a então Secretaria Regional de Agricultura, Florestas e Pescas resolve, em meados dos anos 90 do século XX garantir um preço fixo ao produtor, situação que se tem mantido até hoje. A cana sacarina depois de processada, dá origem ao mel de cana (destacado neste blogue no mês passado), que é amplamente utilizado na nossa doçaria (bolo de mel, broas de mel) e como acompanhamento em "sonhos", "mal-assadas" e, à aguardente de cana, que serve de base a bebidas típicas como a conhecida "poncha" e os licores. Para continuar a promover e a divulgar esta cultura e os seus derivados, está prevista a realização da III Feira da Cana-de-Açúcar, na segunda quinzena de Abril, no Mercado dos Agricultores da freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol.

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publicado às 22:01

O inhame

por Agricultando, em 17.03.08

Este texto foi publicado no dia 16 de Março de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. O inhame marca presença nas mesas madeirenses pela Páscoa. Contudo, a colheita inicia-se em Janeiro e decorre até Abril, aproveitando-se as folhas para a alimentação do gado. Este tubérculo foi plantado um ano antes e alguns deles, os maiores, estiveram dois anos na terra. As variedades mais usadas na Região são o inhame "branco" e o inhame "vermelho" ou "roxo". O primeiro "gosta" de lugares com muita água como os leitos das ribeiras e dos ribeiros ou sítios, onde haja água em abundância e, o segundo, adaptando-se a terrenos secos, deve ser irrigado frequentemente. Há outra variedade menos cultivada, mas de boa qualidade denominada "De enxerto". Na Madeira, não se conhecem pragas ou doenças que afectem esta cultura, considerando-se por isso rústica. Para propagar este tubérculo, os agricultores usam pequenos pedaços da parte superior do mesmo, com um rebento já desenvolvido. O plantio realiza-se de Janeiro a Fevereiro e por vezes, é consociado com outros cultivos, como por exemplo, o milho. Existe um pouco por toda a Madeira, com destaque para o concelho de Santana. No "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, diz-se que o inhame foi introduzido em 1640. Hoje, sabe-se que a origem do inhame é asiática, mais concretamente do sudeste asiático. Antes de ser degustado, o inhame "branco" passa por uma cozedura de mais de cinco até dez horas, enquanto o inhame "vermelho" ou "roxo" tem um tempo de cozedura semelhante ao da semilha. Além disso, os apreciadores elegem o "vermelho" como o mais saboroso e o que "pica" menos. É consumido como acompanhamento, cozido ou ligeiramente frito e há ainda quem lhe adicione mel de cana.

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publicado às 23:07

A couve

por Agricultando, em 03.03.08

Este texto foi publicado no dia 2 de Março de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. A origem da couve é predominantemente europeia, das costas ocidental e do mediterrâneo, sendo que, alguns tipos desta hortícola são provenientes da Ásia Menor. Há uma grande diversidade de couves como a couve galega, a couve repolho, a couve tronchuda ou "Couve de Portugal", como é designada internacionalmente, a couve-flor, o brócolo, a couve lombarda, a couve-de-bruxelas, a couve rábano, entre outras. As mais comuns na Madeira são a couve galega que produz folhas, a couve repolho que produz a "cabeça" e a couve-flor. A introdução na Região terá ocorrido possivelmente aquando do povoamento. A obra "As Saudades da Terra" de Gaspar Frutuoso dos finais do século XVI, que recentemente foi reeditada pela Empresa Municipal "Funchal 500 anos" e, o "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses referem que, esta hortícola existia em grande abundância. Actualmente, há couves durante todo o ano e em todos os concelhos. Têm preferência por climas frescos e húmidos. Por isso, as couves da Camacha (do sítio de João Frino) e do Santo da Serra são muito apreciadas e procuradas. No terrreno, podemos ter couve em exclusivo (estreme) ou com outras culturas (consociação) como a batata doce, o feijão, entre outras. Encontram-se também couves nas bordaduras dos nossos "poios", para o aproveitamento máximo da terra arável. No inverno e na primavera, surgem os "espigos" que são as inflorescências tenras da couve. Na gastronomia madeirense, é uma hortícola muito usada. Quem não gosta de saborear o milho com tiras de couve cozido ou frito, uns "espigos" num cozido, um caldo verde, uma sopa de couve? Na alimentação animal é frequente, dar-se as folhas de couve mais velhas a animais de criação, como galinhas, coelhos, porcos, entre outros.

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publicado às 21:22


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