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A semilha

por Agricultando, em 21.01.08

Este texto foi publicado no dia 20 de Janeiro de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. A semilha (ou batata) é proveniente da América do Sul, da região dos Andes e foi trazida para a Europa pelos espanhóis em 1570, sendo então usada como ornamental. Apenas em 1590 é que se reconheceu o seu valor alimentar. Na Madeira foi introduzida em 1760 através de batata semente vinda das Canárias. Nos sacos estava inscrita a palavra castelhana "semilla" (semente), o que levou provavelmente os nossos antepassados a adoptar aquela palavra para descrever a batata. Só chegou ao Porto Santo em 1820 devido ao maior isolamento daquela ilha e à escassa precipitação. Hoje, a semilha é cultivada do litoral até aos mais de 1000 metros de altitude. O concelho com maior área desta cultura é o de Santana, representando mais de 25 por cento do total regional, seguindo-se os concelhos da Ribeira Brava, São Vicente e Calheta. Na costa sul da Madeira, a plantação ocorre em Setembro e Outubro e a colheita em Dezembro e Janeiro e é habitual utilizar variedades precoces para plantar em Fevereiro e colher em Maio. Na costa norte, planta-se em Março e Abril e colhe-se em Junho e Julho. É tradicional nos terrenos com vinha em "latada", quando esta "descansa", plantar-se semilha com sucesso. A Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural faz parte da Rede Nacional de Ensaios de Valor Agronómico e de Utilização de Batata Semente desde finais da década de 80 do século passado. Fruto desses ensaios, os produtores regionais e os importadores de batata semente são melhor aconselhados. As variedades preferidas são as "vermelhas" "Désirée", "Astérix" e as "brancas" "Baraka", "Jaerla", "Agria", entre outras mais antigas que se mantiveram, como a "Holandesa" (ou "Francesa") e a "Crespa". A importância mundial desta hortícola é tão grande que a FAO, organismo da ONU para a Agricultura e Alimentação instituiu 2008, como o "Ano Internacional da Batata". No sítio www.potato2008.org tem acesso a muitas informações sobre a cultura. A semilha é possivelmente o produto agrícola mais consumido na Madeira e no mundo é o quarto alimento mais importante a seguir ao milho, ao trigo e ao arroz. A partir de 2005 a produção desta cultura passou a ser maior nos países em desenvolvimento do que nos países desenvolvidos. Este ano dedicado à batata tem como objectivos, despertar a opinião pública para o valor agrícola, económico e alimentar desta cultura em particular e da agricultura em geral, como resposta a problemas globais como a fome e a pobreza.

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publicado às 22:00

A batata doce

por Agricultando, em 08.01.08

Este texto foi publicado no dia 6 de Janeiro de 2008, na revista "Mais" do Diário de Notícias. De acordo com o "Elucidário Madeirense", a batata doce é originária da América do Sul, tendo sido introduzida na Madeira em meados do Século XVII. Contudo, a obra "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses" do Professor Mendes Ferrão refere que "os portugueses trouxeram a batata doce para a Europa e a sua cultura já era feita nos Açores, em 1538" e que, "na segunda metade do século XVI, a cultura da batata doce, ao contrário da batata comum, já estava muito divulgada em Portugal, Espanha e Itália", pelo que se acredita que a mesma tenha chegado à nossa Região antes da época referida no "Elucidário Madeirense". A batata, como é conhecida entre nós, encontra boas condições de cultivo desde as proximidades do mar até aos 700 metros de altitude. Os concelhos com maior área desta cultura são os de Santana, Ponta do Sol, Calheta, Machico e Ribeira Brava. Pode ser cultivada só ou em consociação com couve, ervilha, feijão ou milho, ao longo do ano. Nas zonas mais frias, a plantação é realizada de Maio a Julho e a colheita efectuada entre Outubro e Dezembro. A batata doce é servida como acompanhamento, cozida ou assada, sendo ainda usada na doçaria e no pão caseiros. A rama (parte aérea da planta) é aproveitada para forragem, em especial, porcos e vacas. Existem muitas variedades aqui na Região. As mais conhecidas e apreciadas são a "Inglesa" e a "Brasileira". A Associação de Agricultores da Madeira no âmbito do Germobanco Agrícola da Macaronésia, enviou exemplares destas duas variedades para um laboratório em Canárias, para serem saneadas de vírus. Esta Associação depois de efectuar a multiplicação das plantas, estará em condições de fornecê-las aos agricultores no final do presente ano.

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publicado às 21:58

O Mercado dos Lavradores

por Agricultando, em 03.01.08

Este texto foi publicado no dia 23 de Dezembro de 2007, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Pelas 13 horas e 45 minutos do dia 24 de Novembro de 1940 era inaugurado o Mercado dos Lavradores, pelo então Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Dr. Fernão de Ornelas e pelo Governador do Distrito Autónomo do Funchal, Dr. Branco Camacho. Com uma área coberta de 9.600 m2, foi criado para abastecer uma população de 25.000 habitantes. Nas décadas de 70 e 80 do século passado, o mesmo teve 70.000 a 75.000 clientes. Nos dias de hoje, estima-se que 40.000 pessoas façam as suas compras neste espaço comercial. Para assinalar os seus 67 anos, a Câmara Municipal do Funchal levou a cabo no mês de Dezembro neste local, uma exposição sobre este edifício concebido pelo Arquitecto Edmundo Tavares e que é caracterizado como "Arquitectura do Estado Novo". Ir ao Mercado é comprar as "verduras" e os frutos mais frescos. Nesta altura do ano, encontram-se a vaginha (feijão verde), a semilha (batata) nova, a batata doce, os "espigos" (inflorescências tenras das couves), a couve repolho. Os frutos regionais da estação como a laranja de "umbigo" ou "Baía" cada vez mais rara de encontrar devido à importação maciça, a tangerina com um aroma e um sabor que lembra a "Festa" (Natal para os madeirenses), o limão, a anona, o abacate, a goiaba, o mango, os pêros "Domingos", "Ponta do Pargo" e "Calhau" e as maçãs "Reineta", "Cara de Dama" e "Barral". Estes últimos frutos são colocados nas "lapinhas" e nas "lapinhas de escadinha". Os "Sapatinhos" e as "Manhãs de Páscoa" são as flores eleitas nesta época, para que as nossas casas estejam mais coloridas. Apesar da concorrência dos supermercados, ir ao Mercado dos Lavradores é garantido, que terá um atendimento personalizado e de grande qualidade, seja na compra dos produtos agrícolas, do peixe ou da carne.

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publicado às 15:29

A Fábrica Santo António

por Agricultando, em 03.01.08

Este texto foi publicado no dia 9 de Dezembro de 2007, na revista "Mais" do Diário de Notícias. A pouco mais de duas semanas do Natal, neste "agricultando" foi feita uma sugestão de Natal, oferecer compotas e gelados da Fábrica Santo António. Desde 1893, ano da fundação, a Fábrica de Santo António localiza-se no centro do Funchal próximo do estabelecimento Bazar do Povo. A actividade agrícola não se limita aos frutos que a terra dá e ao seu consumo em fresco. Os derivados tornam-se uma alternativa apetecível, quer para o consumidor, quer para o agricultor, que aqui encontra mais uma via de escoamento das suas produções e um consequente aumento do seu rendimento. O fabrico de bolachas e marmelada é a "face" mais visível desta fábrica. Porém, esta empresa cristaliza cidra, produz biscoitos, broas, bolos de mel e os tradicionais rebuçados de funcho e eucalipto. Além disso, mais de 50 agricultores madeirenses vendem todos os anos dezenas de toneladas de frutos regionais de elevada qualidade, como a pitanga, a papaia, o mango, o tomate arbóreo (ou tomate inglês ou tamarilho), o maracujá, a banana, o limão, a amora silvestre, a cereja e o morango, que depois são transformados em deliciosas compotas e gelados. As compotas de papaia com maracujá e de amora silvestre são as mais procuradas e os gelados de pitanga, mango, maracujá, limão, morango, amora silvestre e uva são muito apreciados pelos madeirenses e pelos turistas.

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publicado às 15:09

Joaquim Vieira Natividade

por Agricultando, em 03.01.08

Este texto foi publicado no dia 25 de Novembro de 2007, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Joaquim Vieira Natividade, nascido em Alcobaça em 22 de Novembro de 1899, foi um notável engenheiro agrónomo e silvicultor, concluindo estas licenciaturas no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa, em 1922 e 1929, respectivamente. Entre os mais de 300 trabalhos publicados sobre fruticultura, subericultura (sobreiro) e silvicultura, destacam-se dois livros sobre a Madeira. Foi investigador, director de diversas estações experimentais e responsável pela elaboração de planos de fomento nas áreas atrás mencionadas. Foram-lhe atribuídas quer no país, quer no estrangeiro, inúmeras consagrações e distinções. Faleceu em 19 de Novembro de 1968. Publicou em 1947 "Fomento da Fruticultura na Madeira" e em 1953 "Madeira - A Epopeia Rural". O primeiro traz muitas informações sobre os principais frutos madeirenses, como a banana, a anona, o abacate, o mango, o maracujá, a papaia, a goiaba, o fruto delicioso, o tabaibo (figo d' Índia), a pitanga e o araçá. Também são abordados com pormenor, os frutos de clima temperado, como a maçã, a pêra, a cereja, a ameixa, o pêssego, a castanha, a noz, os citrinos e a figueira. Após 60 anos, este livro de 177 páginas continua surpreendentemente actual. A segunda publicação "Madeira - A Epopeia Rural" resulta de uma conferência proferida pelo Professor Engenheiro Vieira Natividade na Associação Industrial Portuense, a convite do Centro Madeirense do Porto, em 22 de Junho daquele ano. Aí descreve-se num tom poético, mas objectivo e sentido, a Madeira sob o ponto de vista agronómico, desde o povoamento até meados do século XX e a importância do madeirense como artesão da natureza, que "moldou" a paisagem agreste, construindo os "poios" (socalcos) e dominou a água, fazendo-a correr nas levadas.

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publicado às 14:42

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