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A fava

por Agricultando, em 18.04.10

Este texto foi publicado no dia 18 de Abril de 2010, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Na Região, é usual nesta altura do ano, surgirem as primeiras favas que foram semeadas entre Janeiro e Fevereiro. Nas zonas de baixa altitude situadas na costa sul, a sementeira é realizada nos meses de Setembro e Outubro e a colheita ocorre em Janeiro e Fevereiro. Tradicionalmente, cultiva-se a faveira só por si ou com a semilha ou debaixo dos "corredores" (regionalismo para latadas) de vinha, quase sempre em pequenas parcelas de terreno na ordem dos 100 a 200 metros quadrados, essencialmente para autoconsumo. Apesar de se plantar este legume um pouco por toda a Madeira, é na costa norte que este tem maior expressão. Após a apanha das vagens verdes ou maduras (neste caso, apenas para a sementeira do próximo ano), a planta é utilizada para a alimentação animal ou é enterrada. Esta última utilização é realizada para melhorar a fertilidade do solo. Como é uma leguminosa, à semelhança do feijão, da ervilha, do grão de bico e da lentilha, esta cultura apresenta nodosidades (nós) nas raízes, que são originadas por bactérias que fixam o azoto do ar. Este nutriente é um dos elementos essenciais para o desenvolvimento vegetativo. A variedade mais vulgar é a "Aquadulce", sendo que os agricultores recorrem a outras variedades antigas, consideradas regionais. As pragas mais frequentes são o "piolho negro da faveira" e o "carneiro" ou "gorgulho", enquanto que a doença mais comum é a "ferrugem". A fava é muito apreciada na gastronomia madeirense. Quem não gosta de umas favas com molho de vilão, de escabeche ou torradas com sal, como aperitivos ou ainda transformadas num saboroso puré. Cozida é um óptimo acompanhamento e há quem a adicione ao nosso típico prato de milho. No continente, é muito famosa a iguaria favas (guisadas) com chouriço. É pois uma hortaliça muito nutritiva. Como curiosidade, refira-se que na confecção do bolo-rei, é introduzida uma fava e ao parti-lo, quem encontrá-la, fica encarregue de comprar este bolo no ano seguinte. Esta leguminosa é originária do Sudoeste Asiático, mais concretamente da região sul do Mar Cáspio. É cultivada desde épocas longínquas no sul da Europa e no norte de África, tendo sido depois disseminada por todos os continentes no decorrer dos tempos.

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publicado às 16:45


4 comentários

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De Rabiçais a 28.04.2010 às 10:58

Olá Joaquim,
é para te dar um abraço e para, uma vez mais, te dizer que o teu blog é muito bom!
A fava, como sabes, tem um certo sabor a saudade insular , pois, nas belas touradas à corda da canada de Belém (e outras), um pires de favas e uma "carlos alberto " (cerveja para quem não conhece a terminologia) caiam que nem ginjas!
Por falar em analogias entre a vida quotidiana e a agricultura, é caso para dizer (perguntar), de onde e como terá surgido a expressão "vai à fava"???
Abraço :-)
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De Agricultando a 30.04.2010 às 23:11

Caro Jorge Rabiçais,

Obrigado por mais esta tua visita a este blogue. Efectivamente, touradas à corda na Terceira, sem favas e umas "frescas", não era tourada!!!
Quanto à expressão "vai à fava", não sei como é que surgiu. Mas uma coisa é certa, quem a inventou, não gostava de favas como nós!
Um abraço!
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De gabriel leopoldo a 13.05.2011 às 18:05

Querido amigo
estava à espera da receita das favas....mas nada...lá vou ter que inventar outra vez
A propópsito... molho de vilão è com vinho seco ou vinagre de vinho?...anyway...são parecidos

abraços
Leo
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De gabriel leopoldo a 13.05.2011 às 18:16

sou eu outra vez
E a "fava rica" na rua dos netos
Ai que molho... com papo-seco e um liquido quatquerrrrr ...
Bem...talvez não é da tua época

leo again

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