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O trigo

por Agricultando, em 12.07.09

Este texto foi publicado no dia 12 de Julho de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Uma semana depois da 25.ª edição do festival de folclore "48 Horas a Bailar", realizado em Santana e dedicado ao trigo, o "Agricultando" de hoje versa sobre esta gramínea. É proveniente da região do Crescente Fértil no Médio Oriente, na zona actualmente constituída pela Síria, Jordânia, Turquia e Iraque. Em 2007, de acordo com a FAO, organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação, este cereal é a terceira cultura agrícola mundial liderada pelo milho e seguida pelo arroz. A China, a Índia, os EUA, a Rússia, a França, o Paquistão e a Alemanha são os principais produtores. Na Madeira, esta cultura foi instalada de imediato aquando do seu povoamento, como alimento base dos nossos antepassados. O "Elucidário Madeirense" do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, confirma essa importância de outrora, dizendo que “o trigo existe em todas as freguesias do arquipélago, (...)”. No presente, a área e a produção deste cereal são muito reduzidas, devido aos custos de produção elevados, optando-se pela importação da totalidade da farinha aqui utilizada. Mesmo assim, segundo o "Recenseamento Geral de Agricultura" de 1999, destacam-se os concelhos da Calheta (freguesias dos Prazeres, Fajã da Ovelha, Ponta do Pargo), Santana, Porto Moniz e Porto Santo, com alguma produção e vestígios nos restantes municípios. Como curiosidade, refira-se que um agricultor, Eleutério Gonçalves Martins da Nóbrega, da freguesia de Santa Maria Maior, concelho do Funchal, dedica-se ao cultivo do trigo há 28 anos, sendo o último a fazê-lo nesta cidade. É por isso, motivo de uma exposição organizada pelo Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova, no Centro Cívico de Santa Maria Maior. Em termos culturais, a sementeira realiza-se de Dezembro a Março, conforme a localização geográfica, a altitude e as condições climatéricas locais e, a ceifa decorre em Junho e Julho. É rústica quanto às pragas e doenças, podendo ocorrer no armazenamento dos grãos, ataques do gorgulho e da traça dos cereais, bem como dos ratos e murganhos. Atendendo à diversidade de tipos de trigo existentes na Região e no âmbito do Germobanco Agrícola da Macaronésia da responsabilidade da Associação de Agricultores da Madeira e da Universidade da Madeira e, demais congéneres açorianas e canarianas, procedeu-se ao levantamento, recuperação, conservação, caracterização e aperfeiçoamento dessas espécies e variedades regionais, pela qualidade e produtividade únicas que possuem. Neste momento, o interesse no seu cultivo local serve sobretudo, para garantir a genuinidade dos derivados típicos, como o pão caseiro, o bolo do caco, o bolo de noiva, a sopa de trigo, o cuscuz, o "frangolho" (papas de trigo), entre outros. E, por outro lado, assegurar palha para a cobertura das casas de colmo, características do concelho de Santana. É pois, uma parte do património agrícola regional que deve ser acautelada, através da certificação dos produtos tradicionais atrás mencionados, onde o nosso trigo deve constar como ingrediente obrigatório.

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publicado às 17:50


3 comentários

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De Graciete a 16.07.2009 às 19:48

Amigo Leça,
Sendo uma assídua leitora e apreciadora dos teus artigos, não quero de deixar de reconhecer-te o mérito que tens tido, em prol de todos quantos têm a Agricultura no coração, embora a mesma não esteja a ocupar o lugar que devia ter e a ser devidamente acarinhado.
Por isso mesmo, o teu blogue tem muito mais valor!
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De Graciete a 16.07.2009 às 19:54

Leça, obrigada pelo teu mimo, de colocares o meu blogue nos links do mês, e pela tua visita!
Eu vou aparecendo sempre por aqui, porque se sinto bem!
Bjs
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De Agricultando a 18.07.2009 às 15:43

Graciete,
Obrigado pelos teus elogios. Não é fácil escrever sobre agricultura nos tempos que correm. Sabemos que a agricultura portuguesa de há uns tempos a esta parte, passa por momentos difíceis. Por isso, entendo que é importante realçar o que temos de bom e diferente dos outros. É fundamental passar uma mensagem positiva e de esperança sobretudo para o agricultor. Sensibilizar o consumidor (todos nós), que muitas vezes por falta de informação, esquece-se que ao comprar produtos agrícolas portugueses, está a contribuir para a riqueza do país. É dinheiro que fica cá, em vez de ir para outras paragens longíquas.
Hoje em dia, começa a ser frequente ouvir-se a expressão, "soberania alimentar". Um país que dependa muito do exterior em termos alimentares, como já acontece com Portugal, é uma nação cuja "soberania alimentar" está seriamente ameaçada. E não cabe só aos governantes resolver este problema. Cabe a cada um de nós olhar com mais atenção para esta situação.
Mudando de assunto, o destaque do "Alma da Ilha" nos links do mês é merecido. Afinal, para que servem os amigos?

Beijinhos

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