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Lembrar novamente Joaquim Vieira Natividade

por Agricultando, em 26.11.17

Este texto foi publicado no dia 26 de Novembro de 2017, no Diário de Notícias.

Nascido em Alcobaça a 22 de Novembro de 1899, Joaquim Vieira Natividade é considerado por muitos como o Agrónomo que mais contribuiu para a modernização da fruticultura e da subericultura portuguesas, sendo reconhecido a nível nacional e internacional. Filho do Arqueólogo Manuel Vieira Natividade e de Maria da Ajuda Garcez Natividade fez o ensino primário na sua terra natal e completou o curso do liceu em Coimbra. No ano lectivo de 1916/1917 matriculou-se no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa, concluindo o curso de Engenheiro Agrónomo e a licenciatura em Silvicultura em 1922, tendo defendido o relatório final do curso de Engenheiro Silvicultor em 1929. Em 1933, torna-se Professor Catedrático aprovado naquela faculdade, embora não chegue a leccionar por ter sido escolhido outro candidato para a ocupação de uma vaga de docente. Contudo, a sua vida foi quase toda dedicada à investigação científica nas áreas da fruticultura, subericultura e silvicultura, desenvolvendo a sua actividade principalmente em Alcobaça, na Estação de Experimentação Florestal do Sobreiro de Maio de 1930 a Outubro de 1950, e chefiou o Departamento de Pomologia da Estação Agronómica Nacional naquela localidade de Outubro de 1937 até 19 de Novembro de 1968, data da sua morte. O Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade publicou cerca de 320 trabalhos entre livros, artigos técnicos, lições, conferências, relatórios, muitos dos quais inéditos. O primeiro trabalho que editou em 1922 como edição de autor, foi o seu relatório final do curso de Engenheiro Agrónomo intitulado "A Região de Alcobaça. Agricultura, População e Vida Rural". A sua obra "Pomares – Poda de Fruteiras, Monda dos Frutos" lançada pela primeira vez em 1935, teve uma 2.ª edição em 1942 que foi revista, sendo certamente aquela que teve mais procura, pois com a 3.ª edição de 1951 atingiu os 10.000 exemplares. Escreveu um considerável número de artigos de opinião nos jornais "O Século", "Diário de Lisboa", "Diário Popular", "Notícias Agrícola", "Novidades", entre outros. Entre distinções outorgadas por entidades portuguesas e estrangeiras pelo seu labor realizado em prol da Agricultura e pela brilhante obra científica concretizada, destaca-se o de grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial (Classe de Mérito Agrícola) por decreto de 11 de Março de 1951 emanado da Presidência da República, e o grau de Doutor Honoris Causa conferido em 1966 pela Universidade de Toulouse.

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Das publicações que Vieira Natividade lançou, merecem especial atenção três sobre o Arquipélago da Madeira: "Fomento da Fruticultura na Madeira" (1947) editado pela Junta Nacional das Frutas e pelo Grémio dos Exportadores de Frutos e Produtos Hortícolas da Ilha da Madeira, "A Técnica ao Serviço do Agricultor Madeirense" (1952) numa palestra integrada no programa "A Rádio ao serviço da Agricultura" da Estação Rádio da Madeira e lida pelo próprio, tendo sido incluída numa separata de quatro páginas do Boletim de Informação e Publicidade da Junta dos Lacticínios da Madeira, e "Madeira – A Epopeia Rural" (1953) resultante de uma conferência proferida na Associação Industrial Portuense a convite do Centro Madeirense do Porto a 22 de Junho de 1953, e que foi publicada pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal. Em todas, há algo em comum: um profundo conhecimento da realidade agrícola regional, onde indica as potencialidades e as limitações, e aponta sobretudo os caminhos possíveis para melhorar aquilo que a natureza e o saber-fazer do Agricultor madeirense tinham obtido desde o povoamento até à década de 50 do século passado. Cito algumas frases da palestra "A Técnica ao Serviço do Agricultor Madeirense" de 1952, que reflectem bem o que foi escrito anteriormente: «Em toda a parte, agricultar consiste apenas em cultivar a terra. Aqui [referindo-se à Madeira], cria-se primeiro a terra e cultiva-se depois. Em toda a parte, a água corre para o mar; aqui, faz-se correr a água para a terra: a fonte, o regato, a ribeira, pulveriza-se em levadas. Em tudo está presente o esforço humano, duro, persistente, heróico, que fez de um pedaço de rocha perdido na imensidade do mar um jardim magnífico pela riqueza da flora e pelo mimo do granjeio. […] Mas o problema agrícola agrava-se sem cessar. A população cresce, a terra pulveriza-se cada vez mais e atinge extremos que nos confrangem e impossíveis que nos deixam atónitos. […] Só o aperfeiçoamento incessante da técnica pode tornar a tarefa do agricultor mais fácil, mais segura e mais eficiente. […] A criação, na Madeira, de uma Estação de Experimentação Agrícola corresponde, pois, a uma necessidade imperiosa». Como curiosidade, ainda em 1952, o Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade elabora um estudo sobre a "Estação Agrária da Madeira. Sugestões para um Plano de Trabalho", que lhe foi incumbido pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, tendo o mesmo sido dactilografado, desconhecendo-se se este importante documento fará parte de algum arquivo.

Uma vez que se esboçou aqui uma súmula, muito mais haverá para dizer sobre este distinto Alcobacense, cuja memória perdura na Estação Nacional de Fruticultura Vieira Natividade, em Alcobaça, e nas suas publicações, mas ficam anotados alguns dos principais elementos do seu extraordinário percurso de vida, sempre ao serviço da fruticultura, subericultura e silvicultura portuguesas.

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publicado às 17:13

Este texto foi publicado no dia 29 de Outubro de 2017, no Diário de Notícias.

Numa breve viagem pela paisagem agrícola de Portugal temos os socalcos do Douro e do Minho, as verdejantes planícies do Ribatejo, as searas a perder de vista no Alentejo, os pomares de citrinos do Algarve, as pastagens do Arquipélago "Irmão" dos Açores e os poios [regionalismo para socalcos] da nossa Região suportados pelos muros de pedra aparelhada. Todas as paisagens são belas pela sua diversidade cultural, pelo colorido que conferem, quer para o residente, quer para o visitante que não se cansa de fotografar ou filmar tão prodigiosa harmonia entre o Homem e a Natureza, "moldando-se" grosso modo um ao outro ao longo dos tempos, daí resultando o tão desejado equilíbrio. Na Madeira, desde o povoamento que se construíram esses degraus de gigante, os poios, que foram erigidos pelo duro trabalho braçal, transportando-se às costas terra e pedras para ter pedaços de terra cultivável e daí retirar o "pão" para o sustento do Ilhéu. Há um lado quase poético deste aproveitamento singular do território insular exíguo e acidentado, mas há igualmente outra face dramática, feita de suor, sangue e lágrimas de muitos dos nossos antepassados. A propósito, cito o Professor Engenheiro Joaquim Vieira Natividade, insigne Agrónomo e Silvicultor, que descreve no livro "Madeira – A Epopeia Rural" de 1953 o notável labor realizado pelo Agricultor madeirense. “E o homem, o pigmeu, atacou a montanha. Durante séculos não cessou o trabalho rude da picareta e da alavanca, e à custa de vidas, de suor e de sangue talharam-se na rocha as gigantescas escadarias, sem que o alcantilado das escarpas, a fundura dos despenhadeiros ou a vertigem dos abismos detivessem os passos do titã. Monumento este único no mundo, porque jamais em parte alguma, com tão grande amplitude, tanto esforço humano foi empregado na conquista da terra”.

Num olhar atento, verificamos no presente que os poios ainda persistem na nossa paisagem. Muitos, com dezenas, alguns, com centenas de anos de existência. Sem argamassa a unir as pedras, tal proeza deveu-se ao "engenho e arte" e ao saber de experiência feito do Agricultor madeirense, que dominava empiricamente os conhecimentos técnicos de construção de muros de suporte. Por outro lado, é sabido que o custo de um muro de pedra aparelhada nos dias de hoje representa o dobro ou o triplo de um muro em betão. Mas também percebemos que o impacto paisagístico de um e de outro são distintos. Então, o que será melhor? Os muros de pedra aparelhada? Revestir os muros em betão com pedra aparelhada? Ou só muros em betão? Deixo as respostas para si, leitor. Dada a questão financeira e muitas vezes a impossibilidade do proprietário suportar sozinho os custos de construção ou de reconstrução de um muro de pedra aparelhada para um poio com fins agrícolas, é fundamental que haja apoios financeiros comunitários ou de outra origem suficientemente atractivos para que se dê preferência àquilo que sempre foi utilizado, a pedra basáltica, uma matéria-prima local com provas dadas quanto à durabilidade. Até porque o custo de manutenção de um muro de pedra aparelhada no longo prazo será sempre inferior ao custo de manutenção de um muro em betão. Existem ajudas financeiras comunitárias para a manutenção dos muros de pedra aparelhada cujo valor é na ordem dos 900 euros por hectare por ano. Ora, para uma área mínima elegível de 1.000 metros quadrados de superfície agrícola disposta em socalcos dá direito a uns irrisórios 90 euros anuais. Além disso, o quadro comunitário de apoio Proderam 2020 concede apoios a 100 por cento a fundo perdido na "Acção 4.4.1. – Intervenção em muros incorporando pedra à vista". Para a construção e a reparação de muros de pedra aparelhada argamassada ou não, ou o revestimento de muros em betão com pedra aparelhada argamassada ou não definiu-se o montante máximo de 70 euros por metro quadrado numa superfície agrícola mínima elegível de 500 metros quadrados. É manifestamente insuficiente nas duas primeiras soluções pois as técnicas tradicionais de construção e de reparação requerem mais mão-de-obra e por isso os encargos serão mais onerosos ultrapassando em muito os 70 euros por metro quadrado. Há que reforçar o quanto antes os valores que contemplem a conservação e a recuperação dos muros de pedra aparelhada dos poios cultivados ou a cultivar. É claro que é o Agricultor que beneficia mais, mas seremos todos favorecidos pela paisagem sem igual, os de cá e os de passagem. E tenhamos presente que já são poucos, os que dominam a técnica de construção de um muro de pedra aparelhada não argamassado. Aproveitemos o seu saber-fazer e que este seja transmitido aos mais novos e interessados neste nobre e ancestral ofício que tem sido preterido.

Este importante legado deixado pelos nossos antepassados não deve ser apenas avaliado pelo contar imediato de euros e cêntimos. Nele há que ter em conta a memória cultural de um povo, a imagem de marca de uma Região, um cunho que é nosso, só nosso e que não tem preço. Respeitemos pois esse legado!

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publicado às 16:02

Só se valoriza aquilo que se conhece

por Agricultando, em 24.09.17

Este texto foi publicado no dia 24 de Setembro de 2017, no Diário de Notícias.

A sidra ou "vinho" de pêros como é conhecida entre nós, é uma das bebidas mais genuínas da Madeira. Desde tempos remotos, esta bebida com teor alcoólico de 5 a 6 graus é produzida em freguesias como a Camacha, o Santo da Serra, São Roque do Faial, o Jardim da Serra, entre outras. Ao longo do tempo, seleccionaram-se variedades de maçãs/pêros com grande potencial para a obtenção de sidra como são o "Pêro Calhau de Sidra", o "Pêro Azedo", o "De Vinho", o "Pevide" e o "Vime". Actualmente, por exemplo, na freguesia dos Prazeres e na Quinta Pedagógica daquela localidade usam-se outras variedades regionais que devem apresentar uma maturação entre o verde e o maduro, pois é nesse estado que os frutos têm pouco teor de açúcares e darão a frescura e acidez tão características desta bebida. Após a apanha dos frutos a produção de sidra começa logo com a necessária lavagem, ocorrendo posteriormente o corte e a trituração. Nesta fase adiciona-se um antioxidante como o ácido ascórbico (Vitamina C) com o propósito de evitar a oxidação (escurecimento) da polpa. A massa conseguida pela trituração é prensada, para extrair-se o sumo. Depois tem lugar uma decantação de 24 horas para que haja depósito de alguma borra. O líquido é trasfegado para um recipiente que pode ser metálico (inox) ou de madeira (barricas). A fermentação que ali acontece, deve ser efectuada em locais frescos cuja temperatura deverá ser de 14 graus centígrados, para que tenha lugar a actividade das leveduras. Desse modo, originar-se-ão fermentações longas e contínuas durante cerca de três semanas para alcançar-se uma sidra frutada e assegurar que todos os açúcares passem a álcool.

Nos dias 28 e 29 de Agosto teve lugar na freguesia dos Prazeres o 3.º Concurso das Sidras da Madeira, organizado pela Secretaria Regional de Agricultura e Pescas através da Direcção Regional de Agricultura (DRA). Esta competição fez parte da 3.ª Semana das Sidras da Madeira, um certame promovido pela Câmara Municipal da Calheta e pela Quinta Pedagógica dos Prazeres (QPP) que decorreu entre 28 de Agosto e 3 de Setembro. Tive a oportunidade de ser um dos 15 elementos do júri que avaliou 20 sidras de oito freguesias (Camacha, Fajã da Ovelha, Jardim da Serra, Ponta do Pargo, Prazeres, Santo da Serra, São Roque do Faial e São Vicente) produzidas entre 2013 e 2017, que se submeteram a concurso. Os jurados eram oriundos de diversas actividades económicas e do saber, como da hotelaria e restauração, da comercialização de vinhos, da Associação de Barmen da Madeira, da Universidade da Madeira, da Associação Qualifica/oriGIn Portugal e da DRA. A sala das provas devidamente preparada para o efeito foi o refeitório do Centro de Abastecimento Hortofrutícola dos Prazeres (CAPRA). As amostras foram convenientemente codificadas e servidas à temperatura ideal de 8 graus centígrados em copos de prova adequados. A cada sidra, a avaliação visual, olfactiva e gustativa eram registadas numa folha de avaliação padronizada que cumpre com os requisitos da Organização Internacional da Vinha e do Vinho. No primeiro dia elegeram-se as 10 melhores sidras, tarefa que se revelou difícil em alguns momentos dada a excelente qualidade, situação que foi corroborada por alguns dos elementos do júri que estiveram nas edições anteriores. No segundo dia, o júri voltou a avaliar as 10 melhores sidras para que se pudesse distinguir a "Melhor Sidra de 2017", as "Sidras de Ouro" e as "Sidras de Prata". Assim, o prémio de "Melhor Sidra de 2017" foi para Geraldo Freitas Dória de São Roque do Faial, as "Medalhas de Ouro" para José Alcindo Andrade da Ponta do Pargo, CDISA-Quinta Leonor do Jardim da Serra e Quinta Pedagógica dos Prazeres e as "Medalhas de Prata" para João Carlos Gouveia e João Manuel Freitas Spínola do Santo da Serra e Lino Nóbrega Pinto do Jardim da Serra. Este tipo de iniciativas são muito importantes para valorizar um produto, neste caso, a sidra, pois só se dá valor àquilo que se conhece. A sidra encerra um saber-fazer de gerações que foram escolhendo as melhores variedades de maçã e de pêro para produzir esta bebida refrescante e saudável. Numa região turística como a nossa, onde os visitantes ingleses, alemães, franceses e espanhóis são consumidores conhecedores de sidra, é essencial que a Região possua um conjunto variado de sidras, visto que de freguesia para freguesia e de variedade de maçã para variedade de maçã há diferenças na cor, no aroma e no sabor e isso, só por si, é algo mais que temos para oferecer a quem nos visita.

Uma nota final de felicitação à Eng.ª Regina Pereira e à Dra. Rubina Vieira da DRA que têm desenvolvido um notável trabalho técnico nas áreas da produção de sidra e seus derivados e de análise sensorial, respectivamente, e que foram determinantes para o sucesso do 3.º Concurso das Sidras da Madeira. Uma palavra de apreço para o Pároco dos Prazeres e Responsável pela QPP, Pe. Rui Sousa e a sua equipa que as acompanhou neste evento e ao longo do tempo.

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publicado às 16:53

Uma década de Agricultando!

por Agricultando, em 09.09.17

São 10 anos de "Agricultando". Foi a 9 de Setembro de 2007 que surgiu esta rubrica de opinião sobre Agricultura madeirense na revista do Diário de Notícias da Madeira.

"Pêro da Ponta do Pargo em festa" foi o título do primeiro artigo de um conjunto de 150 textos publicados até à presente data (71 textos da 1.ª série - 9.9.2007 a 13.6.2010, 72 textos da 2.ª série - 30.1.2011 a 29.1.2017 mais 7 textos da 3.ª série iniciada a 26.2.2017, e que se encontra em curso). A esta centena e meia de escritos há que acrescentar dois artigos-resumo das 1.ª e 2.ª séries que foram publicados no Diário de Notícias da Madeira a 13.6.2010 e 29.1.2017, respectivamente.

Captura de ecrã 2015-09-9, às 22.06.57.png 

Depois, seguiu-se a publicação dos 71 textos da 1.ª série em livro a 21 de Março de 2011 e a versão inglesa a 16 de Dezembro de 2013.

Passada que está uma década nunca pensei estar ainda a escrever. A satisfação de saber que o Agricultando é lido por muitos leitores no Diário de Notícias da Madeira, aqui no blogue e na página de facebook, faz-me continuar a fazer aquilo que mais gosto: escrever sobre o que de bom a Madeira e o Porto Santo têm a nível agrícola e gastronómico.

Com o vosso interesse e apoio, é para continuar!

Obrigado!

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publicado às 10:40

Contribuir para a literacia alimentar

por Agricultando, em 27.08.17

Este texto foi publicado no dia 27 de Agosto de 2017, no Diário de Notícias.

A Direcção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), organismo que pertence ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, tem por missão a definição, execução e avaliação das políticas de segurança alimentar, de protecção animal e de sanidade animal, de protecção vegetal e fitossanidade, detendo ainda as funções de Autoridade Sanitária Veterinária e Fitossanitária Nacional e de Autoridade responsável pela gestão do Sistema de Segurança Alimentar. Tendo presente esta última e importante atribuição, a DGAV lançou no dia 14 de Junho de 2017, na Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, o livro "À mesa: 100 mitos" com uma tiragem de 400 exemplares e que pode ser também descarregado gratuitamente através do endereço http://www.dgv.min-agricultura.pt/portal/page/portal/DGV/noticia/?detalhe_noticia=23253933 

dgav_a_mesa_100_mitos_DR.jpg

Direitos Reservados

Na nota introdutória assinada pelo Director-Geral, Professor Doutor Fernando Bernardo, a edição desta obra de 55 páginas que contou com a colaboração de diversas entidades, é justificada na medida do crescimento de conhecimentos da cultura gastronómica e do surgimento de “crenças e formadas convicções” que na maioria das vezes, não têm base científica, técnica ou legal. Independentemente das iguarias que são confeccionadas e comercializadas, há que cumprir a legislação e as regras de higiene e segurança alimentar. Até porque o consumidor é protegido pelas políticas alimentares europeias, mas não as conhece. Dividido em dois grandes capítulos, "Empresas do Sector Alimentar" e "Consumidor", recorreu-se a uma centena de questões escolhidas ao acaso, que por serem comuns, precisavam de respostas esclarecidas e fundamentadas, contribuindo assim para a literacia alimentar.

Na 25.ª pergunta onde se questiona se “é permitido vender hortofrutícolas, provenientes de horta caseira, ao consumidor final ou a um restaurante”, a resposta é afirmativa, desde que o agricultor seja detentor de um número de operador hortofrutícola que é atribuído pela Direcção Regional de Agricultura, e se sujeite às boas práticas em produção primária, mormente a aplicação de pesticidas de uso agrícola, suas regras de segurança e respeito pelos intervalos de segurança. Se for uma horta biológica, tem de cumprir com as regras de higiene como a lavagem de restos de terra e de estrume. Na questão número 42 se “é proibido o uso de colheres de pau nas cozinhas”, desmistifica-se esta prática habitual, elucidando-se que aqueles utensílios foram e são tradicionalmente utilizados em todo o tipo de cozinhas, quer a doméstica, quer a da restauração, não havendo legislação nacional ou comunitária que o impeça, desde que se encontrem em adequado estado de conservação, sendo por isso necessário uma verificação periódica. Na 87.ª interrogação, se “é permitido usar o nome da região, onde o género alimentício tem origem, como denominação desse mesmo alimento (ex.: Queijo Serra da Estrela)”, responde-se que sim, para os produtos agrícolas ou géneros alimentícios que ostentem as designações Denominação de Origem Protegida (DOP) ou Indicação Geográfica Protegida (IGP) e obedeçam a cadernos de especificações que tenham sido aprovados oficialmente. É o caso da ‘Anona da Madeira’ que tem a certificação DOP. A última pergunta indaga “se é permitido usar a designação de "leite de soja", "leite de aveia", "leite de arroz", "leite de amêndoa" ”, ao que se fica a saber que não, que apenas a palavra leite “é exclusivamente reservada ao produto da secreção mamária normal das vacas, proveniente de uma ou mais ordenhas, sem qualquer adição ou extracção”. Para os géneros alimentícios constantes na questão, e por tratarem-se de bebidas de origem vegetal, usa-se a menção “bebida de …”.

Se é agricultor, industrial agro-alimentar, distribuidor agro-alimentar, empresário de restauração, transportador de produtos agrícolas e géneros alimentícios, vendedor ambulante, consumidor, esta publicação foi feita a pensar em si. Consulte e fique mais informado com "À mesa: 100 mitos"!

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publicado às 16:19


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