Este texto foi publicado no dia 15 de Novembro de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Habitualmente, o "Agricultando" aborda produtos ou zonas agrícolas peculiares da Madeira e do Porto Santo, mas o de hoje, debruça-se sobre a nossa Agricultura e Gastronomia. É reconhecido por todos que uma verdura ou fruta frescas, contribuem em grande parte para o sucesso da confecção de um prato. Essa frescura só é plenamente conseguida com as hortofrutícolas de cultivo local. Além disso, graças aos mil e um climas que a Região possui, permite-nos ter ao longo do ano produtos agrícolas de clima tropical, subtropical e temperado. Muitas vezes, nós consumidores, escolhemos o que vem de fora (leia-se importados), devido ao seu preço e aparência. Porém, também é frequente acontecer que muitas dessas hortícolas e frutícolas vão para o lixo, porque encontramos no seu interior podridões e danos causados pelo choque térmico, provocados por sucessivas entradas e saídas das câmaras frigoríficas desde o local de produção longínquo até à nossa mesa. Por isso, é importante sublinhar que, ao preferirmos os produtos agrícolas madeirenses, temos a garantia da sua frescura e qualidade insuperáveis a preços justos. Comprá-los, é preservar o património agrícola regional genético (as nossas variedades) e edificado (os poios, os palheiros, as levadas), bem como fixar as populações rurais com qualidade de vida. Nos últimos tempos, surgiu o conceito de soberania alimentar, que tem sido tema de conferências e debates. O Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares (OMAIAA) realizou em 10 de Julho deste ano, no auditório da Ordem dos Engenheiros, em Lisboa, um seminário subordinado à "Qualidade, Segurança e Soberania Alimentar versus Défice da Balança de Pagamentos no Sector Agro-Alimentar". Na publicação que resume esse evento (disponível em http://www.observatorioagricola.pt/rubri
Este texto foi publicado no dia 1 de Novembro de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Este fruto seco típico desta época do ano, não é nada mais nada menos do que uma semente. O "verdadeiro" fruto da nogueira é verde e não comestível. Quando está maduro no Outono, abre-se, deixando cair a semente chamada noz. Depois é submetida a uma secagem, com recurso a um tipo de "fumeiro", hábito antigo e enraizado entre nós, para que se obtenha as melhores características de paladar e textura, bem como uma boa conservação. A noz pode ser consumida em fresco ou transformada em bolo ou num reconfortante pudim. O nosso bolo de mel de cana tem na sua composição, este fruto inteiro no seu topo e triturado em bocadinhos no interior do mesmo. Hoje, dia de Todos-os-Santos, reza ainda a tradição do "Pão-por-Deus", em que as crianças com sacos de pano, andam de porta em porta pelas casas dos familiares e vizinhos, a pedir guloseimas e frutos secos (nozes incluídas). Noutras paragens, para além de ser uma árvore produtora de frutos, é igualmente aproveitada para a indústria madeireira, com aplicação no fabrico de móveis duradouros e de elevada qualidade. Na Madeira, esta espécie de crescimento lento tem as melhores condições de cultivo entre os 400 e os 1000 metros de altitude, encontrando-se distribuída um pouco por toda a parte. Os pés dispersos são predominantes em relação aos poucos pomares aqui existentes. Segundo o "Recenseamento Geral de Agricultura" de 1999, os concelhos mais representativos desta cultura são a Ribeira Brava (freguesia da Serra d’ Água), Funchal, Câmara de Lobos (Curral das Freiras), Ponta do Sol e São Vicente. Na Região, as variedades de noz mais apreciadas são as regionais do Curral e as introduzidas americanas "Hartley" e "Pedro", por terem bastante miolo, casca fina e serem muito saborosas. O bichado é a principal praga e a bacteriose e antracnose são as doenças mais comuns. A época de apanha acontece geralmente nos meses de Outubro e Novembro. A origem da nogueira está situada nas Montanhas dos Cárpatos, um conjunto montanhoso europeu imponente de 1500 km que atravessa a República Checa, a Eslováquia, a Polónia, a Hungria, a Ucrânia, a Roménia e a Sérvia. Outrora, esta espécie também foi encontrada espontaneamente nos Himalaias e na China. No presente, é cultivada em todas as zonas de clima temperado do mundo. De acordo com dados estatísticos de 2007 da FAO, o organismo das Nações Unidas para a agricultura e alimentação, a China lidera o grupo de países produtores deste fruto seco, seguida pelos Estados Unidos da América, Turquia, Irão, Ucrânia, México, França, Índia, Egipto, Roménia, Sérvia, entre outros.
Este texto foi publicado no dia 18 de Outubro de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. Segundo a obra "Fruticultura Tropical – Espécies com frutos comestíveis" do Professor Engenheiro José Mendes Ferrão, esta planta é oriunda da América tropical, mais propriamente do Brasil. Aí menciona-se que, actualmente está dispersa pelas regiões tropicais e subtropicais de todo o mundo, bem como em zonas temperadas onde as geadas são pouco comuns. Como curiosidade, é referido que foram os portugueses que difundiram a pitangueira no Oriente. Apesar desta espécie ser conhecida desde longa data pelos madeirenses, desconhece-se quando é que foi introduzida na Região. O "Elucidário Madeirense" de 1940 do Pe. Fernando Augusto da Silva e Carlos Azevedo de Meneses, dá conta que esta pequena árvore era muito cultivada no Funchal. Ainda hoje, é frequente verem-se pitangueiras nos quintais das casas, em pés dispersos ou como sebe viva, pois estas além de produzirem frutos, têm uma vertente ornamental muito apreciada, especialmente na rebentação e floração. Na Madeira, encontra as melhores condições de frutificação até aos 280 metros de altitude na costa sul e 100 metros na encosta norte. Tradicionalmente, a pitangueira é propagada por semente, o que origina uma grande diversidade genética, não havendo por isso, uma garantia de ter-se um bom exemplar. Em finais da década de 90 do século passado, a Divisão de Fruticultura da Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, seleccionou as melhores variedades deste fruto no que respeita à qualidade e produtividade, sendo possível adquirir lá, plantas enxertadas de inegável valor. Como consequência deste trabalho e do interesse por parte da indústria agro-alimentar, surgiram alguns pomares desta espécie. Em termos de fitossanidade, a praga mais importante é a mosca da fruta ou "bicho" da fruta, não havendo registo de nenhuma doença que a afecte. A colheita decorre ao longo do ano, apresentando dois picos de produção na Primavera e no Outono. Existem duas variedades de pitanga, a "vermelha" e a "negra", em função da cor dos frutos maduros. Ao paladar, a primeira é ligeiramente mais ácida que a segunda, pelo que esta última é mais adequada para o consumo em fresco. A "vermelha" tem um grande potencial de transformação, obtendo-se derivados deliciosos como o "doce" (compota), gelado, pudim, entre outros. É possível produzir pasta de pitanga com recurso ao descaroçamento, congelando a polpa para utilização posterior, sem perda das suas características excepcionais de aroma, sabor e textura. Embora alguns hotéis e restaurantes já incluam este fruto ou o transformado nas suas ementas, é fundamental que muitos mais o façam, pois trata-se de um produto regional de excelência, que é desconhecido da maioria dos nossos turistas. Este e outros momentos gastronómicos, proporcionam ao visitante experiências e memórias, que não esquecerá e certamente desejará repeti-las.
Na véspera do segundo ano de existência deste blogue, eis que se chega aos 8000 visitantes!
É evidente que há cada vez mais internautas a visitar este cantinho dedicado à Agricultura.
A todos, quero agradecer e desejar que este blogue continue a ser do vosso agrado.
Muito obrigado!
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Este texto foi publicado no dia 4 de Outubro de 2009, na revista "Mais" do Diário de Notícias. No livro "A Aventura das Plantas e os Descobrimentos Portugueses" do Professor Engenheiro José Mendes Ferrão, indica-se o Oriente como a região nativa do mangueiro, numa área abrangida pela Índia, Birmânia e Malásia. Na Época dos Descobrimentos e segundo esta publicação, os portugueses levaram esta fruteira da Índia para as costas oriental e ocidental de África e para o Brasil. Cita-se também que a antiga colónia portuguesa de Goa, era considerada uma referência, quanto à diversidade e qualidade de variedades de mango. Ainda hoje em dia, a Índia é o principal produtor, sendo que esta cultura tropical, está distribuída em todo o mundo, em países díspares como o México, Brasil, Venezuela, Espanha, Israel, África do Sul, Paquistão, Filipinas, Austrália, entre outros. Em Portugal, é cultivado no Algarve e na Madeira. Na Região, o mangueiro tem as melhores condições de produção na costa sul, desde o litoral até aos 180 metros de altitude e na vertente norte, nas fajãs mais soalheiras até aos 50 metros de altitude. Existem variedades locais de mango provenientes de semente, normalmente muito saborosas, de tamanho pequeno e com fiapos (regionalismo sinónimo de fibras). Por outro lado, variedades introduzidas, como a "Tommy Atkins", "Osteen", "Rubro Brasil", "Rosa" e "Keitt", não têm fibras ou são escassas, apresentam aroma e sabor muito agradáveis, são sumarentas, têm calibres médio a grande e estão bem adaptadas às nossas condições climatéricas e de solo. Qualquer interessado, que as queira ter no seu pomar ou no seu quintal, pode recorrer à Divisão de Fruticultura da Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural, que presta o serviço de enxertia para esta espécie, no Verão. As pragas mais habituais são a mosca da fruta ou "bicho" da fruta e as cochonilhas e, as doenças mais comuns são o oídio ou "mangra", a antracnose e a bacteriose. Na Madeira, a apanha de mango ocorre de Setembro a Janeiro, consoante a localização geográfica, a altitude, as condições climáticas locais e a variedade. Ao descascar um bom fruto do pedúnculo para o ápice e cortando-o em fatias, é como se comesse um pudim natural, pois a polpa desfaz-se na boca. Pode apreciá-lo igualmente transformado num sumo ou batido fresco, num gelado refrescante, numa tentadora mousse ou a servir de cobertura num irresistível cheesecake. Noutras partes do globo, consome-se o mango verde com sal, pimenta e molho picante ou conservando-o por mais tempo como pickle. É certo e sabido que chegam à nossa terra, mangos importados por barco ou por avião. Porém, quem come um fruto regional de qualidade, apercebe-se de imediato que este é manifestamente melhor. Parte do segredo está na sua maturação, ou seja, é colhido quase maduro. Por isso, amigo leitor, aproveite esta época, compre mangos madeirenses e comprove.
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