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Valorizar o que nos é próximo!

por Agricultando, em 25.09.16

Este texto foi publicado no dia 25 de Setembro de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

Num estudo levado a cabo pela Missão Continente e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa apresentado no início do presente mês, constatou-se que cerca de 70 por cento dos portugueses alteraram os seus hábitos de consumo nos últimos anos marcados pela crise financeira e económica. No ano que se assinala o Ano Nacional do Combate ao Desperdício Alimentar declarado pela Assembleia da República, 77 por cento dos inquiridos exprimiram a sua preocupação em relação à comida que é deitada para o lixo e que se estima que em Portugal atinja um milhão de toneladas de alimentos por ano. Deste inquérito, importa reter que por ocasião das compras de produtos alimentares, os portugueses consideraram como critérios essenciais de escolha, a frescura e o preço justo com 86 por cento das respostas, o prazo de validade com 79 por cento e os produtos nacionais com 63 por cento. É caso para dizer que no momento onde se verifica um poder de compra mais comedido, dê-se importância a factores distintivos como o frescor e a procedência dos produtos, ou seja, as pessoas valorizam o que é local. Os resultados deste estudo indicam ainda que os consumidores portugueses escolhem mais os hipermercados (68 por cento), os supermercados próximos de casa (62 por cento), lojas especializadas (53 por cento) e grandes áreas comerciais (48 por cento), pela variedade da oferta. Todavia, as feiras e mercados, as compras directas ao produtor (como por exemplo os Mercados dos Agricultores dos Canhas e Prazeres), os mercados biológicos e as cooperativas começam a ter algum peso, bem como as compras pela internet com 10 por cento dos entrevistados a responder que o fazem com frequência. Seria oportuno que se realizasse uma nova inquirição daqui a cinco anos, pois os hábitos de consumo serão outros, com os pontos de venda directa ou quase directa a ganharem terreno certamente aos hipermercados e às grandes superfícies comerciais. Justamente porque o valor que se dá à frescura e à origem regional/nacional dos produtos alimentares, em especial os hortofrutícolas, deverá ser cada vez maior. Por outras palavras, a proximidade entre produtor e consumidor fará a diferença!

O Restaurante Casa de Pasto Justiniano (telefone: 291854559; com página no facebook) situado no Sítio do Chão da Ribeira, freguesia do Seixal, concelho do Porto Moniz iniciou a actividade a 4 de Fevereiro de 1987. O nome desta casa é também o nome do seu proprietário, António Justiniano Conceição Silva. Este espaço surgiu na altura que se extraía areão no Chão da Ribeira e se parava ali para petiscar e tomar um copo. A ementa é simples, porém genuína e caseira. A começar pelo quentinho bolo do caco com manteiga e alho, passando pelos pratos principais como a truta recheada, a espetada em pau de louro ou a galinha bêbeda cuja encomenda prévia é obrigatória e acabando com um pudim de maracujá ou uma fatia de cheesecake com cobertura de amora silvestre. Numa zona agrícola e florestal de excelência como é o Chão da Ribeira, os produtos agrícolas locais como a semilha* (de cultivo próprio), a couve, a batata doce, a cenoura, a cebola, o tomate, o pepino, entre outros são desde sempre usados neste restaurante. A sua qualidade torna-se indispensável para o resultado final das iguarias preparadas por quem sabe e tão apreciadas por quem as conhece ou quer conhecer.

 

* — regionalismo para batata

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publicado às 17:12

Agricultando há 9 anos!

por Agricultando, em 09.09.16

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Há 9 anos (9 de Setembro de 2007) o "Agricultando" nascia na revista do Diário de Notícias da Madeira.

"Pêro da Ponta do Pargo em festa" foi o título do primeiro artigo de um conjunto de 139 textos publicados até à presente data (71 textos da 1.ª série mais 68 textos da 2.ª série que se encontra em curso).

Depois, seguiu-se a publicação dos 71 textos da 1.ª série em livro a 21 de Março de 2011 e a versão inglesa a 16 de Dezembro de 2013.

Muito feliz por continuar a fazer aquilo que gosto: escrever sobre o que de bom a Madeira e o Porto Santo têm a nível agrícola e gastronómico.

E é para continuar, contando sempre com o vosso apoio e interesse!

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publicado às 15:47

Das cinzas ao reverdecer

por Agricultando, em 28.08.16

Este texto foi publicado no dia 28 de Agosto de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

Neste "Agricultando", é impossível não escrever sobre os trágicos incêndios que ocorreram essencialmente entre os dias 8 e 10 nos concelhos do Funchal, Calheta e Ponta do Sol. No início, a queimar áreas florestais e depois casas no centro do Funchal. É certo que as condições climatéricas foram propícias ao propagar do fogo, mas o desleixo de muitos anos seguidos aumentou o infortúnio de muitas famílias, já que terrenos contíguos às casas apresentavam muito mato, alimentando assim a força do lume. Numa primeira estimativa de áreas queimadas calcula-se que oito por cento da Madeira ardeu, sendo que no Funchal 22 por cento da sua superfície foi devastada pelas chamas. Naquilo que me é mais próximo em termos profissionais, a agricultura, também não foi poupada, com casos de perdas totais. Porém, é notório que muitos terrenos outrora agricultados, ao serem abandonados por motivos de envelhecimento dos proprietários, emigração, partilha de bens, entre outros, são autênticos barris de pólvora, pois neles instalam-se espécies como a acácia, a canavieira, o silvado e demais arbustos e ervas infestantes que por falta de limpeza atingem alturas proibitivas, sendo "alvos" fáceis para a disseminação de incêndios. Já um terreno cultivado e cuidado, onde são realizadas mondas periódicas das ervas daninhas e eliminação de outras espécies invasoras, o risco de incêndio é consideravelmente menor. Por outras palavras, é de ordenamento agrícola que aqui se fala.

Ao longo destes dias, tem sido realçado por diversas entidades e personalidades de diversas áreas do conhecimento, que a prevenção é a melhor arma para nos precavermos no futuro de eventuais episódios conforme os deste mês, e que têm acontecido com maior frequência nos últimos tempos, à semelhança dos anos de 2010, 2012 e 2013. E que prevenção tem de ser feita de imediato? Desde o repovoamento florestal com espécies mais resistentes ao fogo como o de algumas endémicas (til, vinhático, loureiro, barbusano), o castanheiro, a nogueira que levam muitos anos a crescer, mas que há que (re)começar o quanto antes, pois quanto mais tarde, pior para os de agora e para os que hão de vir. O incentivo de terrenos não cultivados ao arrendamento agrícola, com benefícios fiscais para os proprietários que os disponibilizassem e comparticipação total do pagamento da renda por parte do Governo Regional nos primeiros dois a cinco anos, no caso de serem instaladas hortícolas ou frutícolas e vinha a título de período de carência, respectivamente. Com a garantia de que as terras seriam sempre dos legítimos donos, pois entre nós reina a desconfiança que alugar explorações agrícolas é "meio caminho andado" para perder-se a titularidade. Por último, outra maneira ao alcance de todos e que pode ser feita já, enquanto consumidores, é que ao comprarmos hortofrutícolas locais estamos a aumentar a área agrícola e a diminuir substancialmente os baldios, e consequentemente o risco de incêndio no Verão e de derrocada no Inverno, pois os poios [regionalismo para socalcos] cultivados serão em todo o tempo devidamente ordenados e cuidados, com vantagens para os que cá vivem e para os que nos visitam!

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publicado às 16:37

Uma sugestão agrícola para o Porto Santo

por Agricultando, em 31.07.16

Este texto foi publicado no dia 31 de Julho de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

Estamos em pleno Verão e é caso para dizer que Verão sem Porto Santo não é Verão. É claro que a Ilha Dourada merece ser recordada todo o tempo não só pelo seu vasto areal e magnífico mar, mas também pelo que está em terra. É inquestionável que os hortofrutícolas locais têm um gostinho diferente dos demais e isso é perceptível por exemplo na cebola, no tomate, na cenoura, na batata doce, na melancia, no figo, na uva "Caracol", no tabaibo. Contudo, sabe-se que a falta de água de rega compromete uma eventual expansão. A intensidade e constância do vento e os solos de textura arenosa são outros factores limitantes da agricultura porto-santense. Há pois que contar com aquelas condicionantes para que se possa encontrar uma possível solução. E uma dessas soluções poderá passar por uma maior aposta por culturas que necessitem de pouca água, sejam relativamente resistentes ao vento e que se adaptem bem ao solo arenoso. Pela extensão de terrenos que existem no Porto Santo, o tabaibo que pode considerar-se acessório no presente, é certamente uma alternativa a ter em conta num futuro próximo. Além do fruto, aproveitam-se as "folhas" (que não são mais que os seus ramos) jovens e adultas, quer para a alimentação humana, quer para a alimentação animal, respectivamente. A transformação do tabaibo em compota, licor, sumo, batido e até na pastelaria, permitiria prolongar a sua sazonalidade tornando-se mais um excelente atractivo local com potencial de comercialização na Madeira. O que aqui sugiro não é inédito, pois no Alentejo e no Algarve nos últimos cinco anos o tabaibo ou figo da Índia como é conhecido no Continente tem-se desenvolvido com sucesso agro-comercial em fresco e através dos derivados.

O Bar/Restaurante João do Cabeço (telefone: 291982137; com página no facebook) localizado no Sítio do Cabeço, freguesia e concelho do Porto Santo abriu portas a 21 de Setembro de 1992. Porém, antes daquela data a história desta casa começa como um palheiro com vacas no início da década de 70 do século passado, que depois é convertida em adega, já que o seu proprietário, João dos Ramos Vasconcelos (ou como ficou mais conhecido, João do Cabeço) era igualmente viticultor e produzia vinho das castas "Listrão" e "Caracol". Actualmente, este espaço é gerido pela filha Magda Vasconcelos e pelo genro Gil Gaspar apesar de Maria Teresa Ferreira Câmara (viúva de João do Cabeço) ser a proprietária. Se no princípio eram as bebidas que predominavam, logo os clientes pediam algo para acompanhá-las e assim foi-se fazendo a casa que servia chouriço assado na brasa, um prego, um picadinho com molho da casa ou um aconchegante caldo verde. No presente, estas iguarias são muito procuradas juntamente com o guloso bolo do caco, as lapas grelhadas, a sopa de tomate e cebola, o bife da casa grelhado com bacon, ovo e ananás, a posta de espada, entre outras. Nos doces caseiros, o bolo de bolacha, o pudim de flan ou o "brownie" com gelado são os mais cobiçados. A fazer jus às suas origens agrícolas, de realçar que o João do Cabeço usa produtos agrícolas locais como o tomate, a cebola, a cenoura, a batata doce, a semilha [regionalismo para batata], a alface, pois o seu sabor distinto aliado ao saber-fazer dos cozinheiros faz com que se queira regressar sempre àquele lugar!

E porque hoje o meu filho Joaquim celebra o seu primeiro aniversário, quero dedicar-lhe este "Agricultando"!

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publicado às 16:24

Este texto foi publicado no dia 26 de Junho de 2016, na revista "Mais" do Diário de Notícias.

A aceitação das candidaturas das Ilhas Selvagens e das Levadas da Madeira a Património Mundial propostas pelo Governo Regional na Lista Indicativa de Portugal da Comissão Nacional da UNESCO, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura que ocorreu em finais de Maio, foi um importante passo com vista ao reconhecimento mundial. Relativamente às Levadas da Madeira, importa referir que estas estão intrinsecamente ligadas aos poios [regionalismo para socalcos], isto é, as levadas não existiriam sem os poios, e os poios não estariam agricultados e com o tão elogiado e estimado verde agrícola se as levadas não "levassem" a água até lá. Como cidadão atento ao que se passa na Agricultura da Região e se tal ainda fosse tecnicamente e politicamente exequível, muito gostaria que na candidatura das Levadas da Madeira a Património Mundial, os poios fossem igualmente parte integrante da mesma, denominando-se eventualmente de Levadas e Poios da Madeira. Porque os poios são um legado dos nossos antepassados que, com "engenho e arte", mas com grande sacrifício físico, perdendo por vezes as suas vidas, construíram uma insigne obra de engenharia civil de cariz popular e de enorme valor patrimonial, uma vez que não se utiliza argamassa e são pedras sobre pedras colocadas numa lógica de sustentação física duradoura, que suporta a terra arável. Este recurso que é sempre escasso, na Madeira ainda seria mais caso o Homem não tivesse erigido os poios. A reforçar esta minha opinião de defesa de uma candidatura das Levadas e Poios da Madeira a Património Mundial, cito Joaquim Vieira Natividade numa publicação de 1953 intitulada "Madeira – A Epopeia Rural" onde este distinto Agrónomo alcobacense realça o trabalho notável dos poios e afirma a dada altura: “(...) E o homem, o pigmeu, atacou a montanha. Durante séculos não cessou o trabalho rude da picareta e da alavanca, e à custa de vidas, de suor e sangue talharam-se na rocha as gigantescas escadarias, sem que o alcantilado das escarpas, a fundura dos despenhadeiros ou a vertigem dos abismos detivessem os passos do titã. Monumento este único no mundo, porque jamais em parte alguma, com tão grande amplitude, tanto esforço humano foi empregado na conquista da terra.” Aproveitemos esta oportunidade para que as gerações vindouras respeitem, valorizem e dêem continuidade ao que de mais extraordinário foi feito na Madeira desde o povoamento, as levadas e os poios!

O Restaurante Maré Alta (telefone: 291607126; com página no facebook) situado no Largo da Praça (mesmo em frente ao Mercado Municipal), freguesia e concelho de Machico começou a sua actividade em Abril de 2009. O nome desta casa é comum ao de uma peixaria do Mercado Municipal de Machico onde se cozinhava outrora o peixe que o cliente ali adquiria, e que entretanto essa parte da restauração passou para o actual espaço. O proprietário João Paulo Mendes Rodrigues faz questão de usar a maioria do peixe da costa vindo directamente da peixaria, pois a sua frescura é o ingrediente principal neste restaurante. Num possível repasto, como entrada uma dose de lapas grelhadas ou de gaiado seco tão característico daquele concelho. No prato principal, o peixe fresco do dia que pode ser o pargo, o bodião, a garoupa, o cherne, conforme a disponibilidade, um bife de atum ou um filete de espada acompanhados de batata cozida, batata doce e salada são boas escolhas. A fechar, um pudim de caramelo ou de maracujá para os que não resistem à gulodice.

À semelhança do fazer questão de ter peixe local, há uma predilecção pelos produtos agrícolas regionais como a semilha [regionalismo para batata], a batata doce, a cenoura, a cebola, a alface, o tomate, entre outras hortícolas, por serem mais frescos e conferirem aos pratos aquele gostinho especial!

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publicado às 17:27


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